Por vezes, melhor do que o texto postado, são as conversas de bastidores.
Cada texto tem o comentário que merece e nesta hora é que o texto ganha vida:
Quando comentado!
Sente-se lido, sente-se útil, sente-se notado!
Mesmo quando não há comentário, mas temos notícia da visitação, seguramente sentimo-nos animados e impulsionados à criação. Acredite!
(J.Worm)
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terça-feira, 22 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
Maior desejo
Se alguém perguntar o que eu mais desejo, juro que ficaria um tempo grande a pensar.
Lembro de quando era criança, pensar que o que eu mais queria na vida, era uma grande sorvete Dust Muller ou Dust Milk, sei lá, o que é certo, é que é um sorvete com dois sabores, cheio de cobertura cremosa de chocolate, caramelo ou morango e depois completamente coberto por leite em pó da Nestlé... Hummmmmmmmmmm... Queres me deixar babando de vontade? Lembra-me só este sorvete...
Enfim. É melhor mudar de assunto. Aliás, hoje estou relaxando das Crónicas, Contos e poesias. Sentei e escrevi aquilo que me apetecia comer neste momento. Já já me levanto e vou providenciar a minha vontade de menina.
Ah. É verdade. A pergunta era, aquilo que eu neste momento mais desejo...
Meus amigos, sinceramente, nunca pensei que o que eu mais desejava na vida, era...
Ter mais dinheiro!
Lembro de quando era criança, pensar que o que eu mais queria na vida, era uma grande sorvete Dust Muller ou Dust Milk, sei lá, o que é certo, é que é um sorvete com dois sabores, cheio de cobertura cremosa de chocolate, caramelo ou morango e depois completamente coberto por leite em pó da Nestlé... Hummmmmmmmmmm... Queres me deixar babando de vontade? Lembra-me só este sorvete...
Enfim. É melhor mudar de assunto. Aliás, hoje estou relaxando das Crónicas, Contos e poesias. Sentei e escrevi aquilo que me apetecia comer neste momento. Já já me levanto e vou providenciar a minha vontade de menina.
Ah. É verdade. A pergunta era, aquilo que eu neste momento mais desejo...
Meus amigos, sinceramente, nunca pensei que o que eu mais desejava na vida, era...
Ter mais dinheiro!
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Renascendo
Estou fazendo a minha reprogramação mental e repito todos os dias e a todas as horas, tudo aquilo que eu já tenho certeza que já está acontecendo... E esta é a minha reza:
EU CRIO O MEU MUNDO ATRAVÉS DOS MEUS PENSAMENTOS
Hoje e sempre serão todos os dias os melhores da minha vida
Todos os meus desejos estão sendo realizados
Minha saúde é de ferro
Todo mundo gosta de mim
Eu me realizo com a alegria dos meus amigos
Eu tenho tudo o que sempre sonho
Eu amo todas as pessoas que habitam em todos os planetas
Eu faço parte integrante e importante nesta vida
Eu me adoro
Tudo que está dentro de mim é FORÇA, SUCESSO E CAPACIDADE!!
(Joice Worm)
EU CRIO O MEU MUNDO ATRAVÉS DOS MEUS PENSAMENTOS
Hoje e sempre serão todos os dias os melhores da minha vida
Todos os meus desejos estão sendo realizados
Minha saúde é de ferro
Todo mundo gosta de mim
Eu me realizo com a alegria dos meus amigos
Eu tenho tudo o que sempre sonho
Eu amo todas as pessoas que habitam em todos os planetas
Eu faço parte integrante e importante nesta vida
Eu me adoro
Tudo que está dentro de mim é FORÇA, SUCESSO E CAPACIDADE!!
(Joice Worm)
sábado, 19 de janeiro de 2008
Sofrer para saber viver
E como dizia o poeta Francisco Otaviano...
"Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu...
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida e não viveu..."
"Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu...
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida e não viveu..."
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Um convite
Leiam o "Sr. Manuel de Espanha" em
http://euvoscompreendo.blog.com/
Mais uma experiência na minha vida...
http://euvoscompreendo.blog.com/
Mais uma experiência na minha vida...
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Sabor de Liberdade
"... Quando eu canto, eu canto por ti liberdade!!..."
Nada como ser livre, nada como poder fazer do meu tempo o que melhor posso fazer. Nada como gerir as minhas idéias sem opiniões contrárias. Nada como dormir sozinha. Nada como comer o que me apetece na hora que tenho fome não por ser a "hora" de comer...
Nada como estar flutuando por cima do meu corpo, por cima da situação que me aflinge e observar de longe o que está certo e o que está errado...
Nada como descer o rio sem remo.
Nada como mergulhar e descobrir que no abismo há luz!!
Nada como olhar para o sol e não ficar cega por que na verdade descubro que não existo...
Nada como enfrentar um urso de três metros que diziam ter descoberto na televisão e não ser comida por ele, porque eu não existo...
Nada como não existir... por uns segundos enquanto escrevo tanta baboseira...
E degustar o sabor da LIBERDADE!
...
O segundo passou... Voltei a cela!!...
Nada como ser livre, nada como poder fazer do meu tempo o que melhor posso fazer. Nada como gerir as minhas idéias sem opiniões contrárias. Nada como dormir sozinha. Nada como comer o que me apetece na hora que tenho fome não por ser a "hora" de comer...
Nada como estar flutuando por cima do meu corpo, por cima da situação que me aflinge e observar de longe o que está certo e o que está errado...
Nada como descer o rio sem remo.
Nada como mergulhar e descobrir que no abismo há luz!!
Nada como olhar para o sol e não ficar cega por que na verdade descubro que não existo...
Nada como enfrentar um urso de três metros que diziam ter descoberto na televisão e não ser comida por ele, porque eu não existo...
Nada como não existir... por uns segundos enquanto escrevo tanta baboseira...
E degustar o sabor da LIBERDADE!
...
O segundo passou... Voltei a cela!!...
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Sono
Ela quando acordou disse logo para si mesma que ainda tinha sono... Não queria levantar-se da cama. Pensava na vida, pensava no dia anterior, pensava nos erros do passado e tentava compreender o presente...
Do futuro, nada sabia. Nem tinha vontade de saber, pois no estado psicológico em que se encontrava, o futuro lhe parecia pouco feliz. E não se deixou levar.
Levantou a contragosto e escovou os dentes, penteou os longos cabelos, olhou-se no espelho e viu... uma cara entristecida pelo tempo, uma mecha de cabelos brancos que não conhecia e um sorriso sem graça.
Olhou nos olhos do reflexo do seu rosto no espelho e como hipnotizada, conseguiu entrar no corpo daquela imagem e viu lá por dentro recantos de diversas categorias... Um jardim, florido e colorido, e um banco com um livro abandonado... Um outro jardim, em preto e branco, e uma série de livros abandonados pelo chão... Um barco com alguém a dormir lá dentro enquanto o mar levava-o devagarinho, devagarinho... Uma coruja a sobrevoar um ninho de águias... Uma multidão em torno de alguém que ganhou na loteria... Uma casa a beira-mar, com muitas janelas que só dava para a frente... Um horizonte com duas luas, um farol e uma imagem... Ela própria a acenar de longe...
Voltou ao seu estado natural e viu-se outra vez no espelho.
Ainda estava ali. Viva e sem vontade de fazer nada... A isto chamou de "depressão".
... Sem pensar em mais nada, voltou para cama e dormiu...
.......................
Para mis letctores españoles... una tentativa de tradución...
Sueño
Cuando ella despertó dijo inmediatamente a sí misma que aún tenia sueño... No queria levantárse de la cama. Pensaba en la vida, pensaba en el día anterior, pensaba en los errores del pasado y tentaba comprender el presente...
Del futuro, nada sabia. Ni tenia voluntad de saber, pués en el estado psicológico que se encontraba, el futuro le parecia poco feliz. Y no se dejó levar.
Se levantó a contragusto e cepilló los dientes, peinó sus largos pelos, miróse en el espejo e vio... una cara entristecida por el tiempo, una mecha de cabello blanco que no conocía y una sorisa sin gracia.
Miró en los ojos del refejo de su rostro en el espejo y como se estuviese hipnotizada, conseguió entrar en el cuerpo de aquella imagen y vio adentro recantos de diversas categorias... Uno jardín, florido y colorido y una silla de jardín con uno libro abandonado... Un otro jardín, en negro y blanco y una série de libros abandonados en el suelo... Uno barco con alguien dormindo en su interior mientras el mar lo llevaba despacio, despacio... Una lechuza volaba sobre un nido de águilas... Una multidón alrededor de alguien que habia ganado la loteria... Una casa en la orilla del mar, con muchas ventanas que solo miraban la frente... Uno horizonte con dos lunas, una antiniebla e una imagen... Ella propria haciendo señas de lejo...
Volveó a su estado natural y se miró otra vez en el espejo.
Aún estaba allí. Viva y sin voluntad de hacer nada... A eso llamó de “depresión”.... Sin pensar en más nada, volvió a la cama e dormió...
Do futuro, nada sabia. Nem tinha vontade de saber, pois no estado psicológico em que se encontrava, o futuro lhe parecia pouco feliz. E não se deixou levar.
Levantou a contragosto e escovou os dentes, penteou os longos cabelos, olhou-se no espelho e viu... uma cara entristecida pelo tempo, uma mecha de cabelos brancos que não conhecia e um sorriso sem graça.
Olhou nos olhos do reflexo do seu rosto no espelho e como hipnotizada, conseguiu entrar no corpo daquela imagem e viu lá por dentro recantos de diversas categorias... Um jardim, florido e colorido, e um banco com um livro abandonado... Um outro jardim, em preto e branco, e uma série de livros abandonados pelo chão... Um barco com alguém a dormir lá dentro enquanto o mar levava-o devagarinho, devagarinho... Uma coruja a sobrevoar um ninho de águias... Uma multidão em torno de alguém que ganhou na loteria... Uma casa a beira-mar, com muitas janelas que só dava para a frente... Um horizonte com duas luas, um farol e uma imagem... Ela própria a acenar de longe...
Voltou ao seu estado natural e viu-se outra vez no espelho.
Ainda estava ali. Viva e sem vontade de fazer nada... A isto chamou de "depressão".
... Sem pensar em mais nada, voltou para cama e dormiu...
.......................
Para mis letctores españoles... una tentativa de tradución...
Sueño
Cuando ella despertó dijo inmediatamente a sí misma que aún tenia sueño... No queria levantárse de la cama. Pensaba en la vida, pensaba en el día anterior, pensaba en los errores del pasado y tentaba comprender el presente...
Del futuro, nada sabia. Ni tenia voluntad de saber, pués en el estado psicológico que se encontraba, el futuro le parecia poco feliz. Y no se dejó levar.
Se levantó a contragusto e cepilló los dientes, peinó sus largos pelos, miróse en el espejo e vio... una cara entristecida por el tiempo, una mecha de cabello blanco que no conocía y una sorisa sin gracia.
Miró en los ojos del refejo de su rostro en el espejo y como se estuviese hipnotizada, conseguió entrar en el cuerpo de aquella imagen y vio adentro recantos de diversas categorias... Uno jardín, florido y colorido y una silla de jardín con uno libro abandonado... Un otro jardín, en negro y blanco y una série de libros abandonados en el suelo... Uno barco con alguien dormindo en su interior mientras el mar lo llevaba despacio, despacio... Una lechuza volaba sobre un nido de águilas... Una multidón alrededor de alguien que habia ganado la loteria... Una casa en la orilla del mar, con muchas ventanas que solo miraban la frente... Uno horizonte con dos lunas, una antiniebla e una imagen... Ella propria haciendo señas de lejo...
Volveó a su estado natural y se miró otra vez en el espejo.
Aún estaba allí. Viva y sin voluntad de hacer nada... A eso llamó de “depresión”.... Sin pensar en más nada, volvió a la cama e dormió...
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Lamento e Solução
A árvore morreu... De tanto que a casa e a gente que mora nela recebeu olhares de ódio e inveja, a árvore morreu! Mas também morreu com ela a emoção, o entusiasmo e a vontade de crescer!
Mas ficou a esperança e a raíz que se move através da terra e caminha para florescer em outro lugar...
Mas ficou a esperança e a raíz que se move através da terra e caminha para florescer em outro lugar...
sábado, 11 de agosto de 2007
Anjo da Guarda
(Fiz este texto para o meu Blog do "Euvoscompreendo", e resolvi passar para aqui, porque gosto dele...)
Fecho os olhos e imagino o meu anjo da guarda... muito gordo, com uma carinha amorosa e rosada... não, aliás... magrinho... não...uma mulher... uma Anja da Guarda... e se for uma criança? Criança pode ser Anjo da Guarda? Se for, então em quero em forma de criança... Espírito elevado, cheia de conselhos para dar.
Mas esta criança imagino criança comigo. Imagino que este Anjo tenha crescido junto comigo. Imagino que tenha experimentado as minhas alegrias e tristezas... Imagino-o no final conversando e relembrando os velhos tempos de infância em que nós dois éramos inocentes e felizes...
Meu Anjo da Guarda agora tem a minha idade e tem medo de envelhecer. Sobretudo tem medo de me perder. Por isso tento não esqueçê-lo. E vou falando com ele todos os dias, sempre que posso... peço tudo que preciso para minha vida. E ele me atende. Sempre. Se não, peço outra vez e de outra maneira... Mas insisto. Aí ele resolver ir pedir por mim. E então me é concedida aquela graça. Consigo tudo o que quero, depois alguma coisa não dá certo e eu rezo para me livrar daquele pedido... Então compreendo por que ele não queria me fazer a vontade ao princípio.
Tentou me proteger mas não tinha entendido! Humm... Agora penso antes de pedir! E aceito o que puder receber!
Fecho os olhos e imagino o meu anjo da guarda... muito gordo, com uma carinha amorosa e rosada... não, aliás... magrinho... não...uma mulher... uma Anja da Guarda... e se for uma criança? Criança pode ser Anjo da Guarda? Se for, então em quero em forma de criança... Espírito elevado, cheia de conselhos para dar.
Mas esta criança imagino criança comigo. Imagino que este Anjo tenha crescido junto comigo. Imagino que tenha experimentado as minhas alegrias e tristezas... Imagino-o no final conversando e relembrando os velhos tempos de infância em que nós dois éramos inocentes e felizes...
Meu Anjo da Guarda agora tem a minha idade e tem medo de envelhecer. Sobretudo tem medo de me perder. Por isso tento não esqueçê-lo. E vou falando com ele todos os dias, sempre que posso... peço tudo que preciso para minha vida. E ele me atende. Sempre. Se não, peço outra vez e de outra maneira... Mas insisto. Aí ele resolver ir pedir por mim. E então me é concedida aquela graça. Consigo tudo o que quero, depois alguma coisa não dá certo e eu rezo para me livrar daquele pedido... Então compreendo por que ele não queria me fazer a vontade ao princípio.
Tentou me proteger mas não tinha entendido! Humm... Agora penso antes de pedir! E aceito o que puder receber!
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Os dilemas de Manuel (1)
«Eugênia, eu estive a pensar outro dia...», balbuciou Manuel com ar muito triste.
«Você não acha que devíamos mudar de casa? Eu já não me sinto bem aqui nesta casa, nem neste bairro, nem mesmo nesta cidade... Sinto-me muito infeliz», continuou ele.
Eugênia era uma mulher muito paciente e resignada. Não se preocupava muito com os problemas do dia a dia. Ía-os resolvendo a medida do possível, e independente de viver com o Manuel, ela levava uma vida mais leve que a dele. Não introspectava nada com muita seriedade e deixava que as coisas fluíssem normalmente. O que ela podia resolver, resolvia. O que não podia, deixava que outra pessoa resolvesse, ou pedia a Deus que ajudasse e esperava que Ele mesmo resolvesse, se ela sentisse que não tinha capacidades.
Manuel continuava a falar, sempre olhando para suas próprias mãos a esfregarem-se uma na outra. « Queria ir para uma cidade maior, onde os problemas se dissipassem e que ninguém soubesse das nossas vidas..»
«Para que Manuel», perguntou ela, «Mudar-se para entrar no anonimato, é esta a razão da sua vontade? Tens que arranjar uma desculpa melhor. Tens que perguntar a ti mesmo o que deseja fazer na cidade realmente. Só e somente só, perguntar a ti o que você deseja da sua vida. E não ficar se lamentando que aqui ninguém gosta de ti, e que aqui ninguém te dá oportunidades, que aqui as pessoas são isso ou aquilo... porque se você não tem sorte, é porque não acredita nela meu querido.»
«Mas..», disse Manuel, tentando recuperar o folego que ela perdera para argumentar.
«Mas nada Manuel, o que você pensa que eu sinto em relação a esta terra? Não acha que também me sinto esquecida por esta gente e que vejo que ninguém me leva em consideração sequer como pessoa?, mas não é por isso que deixo de sonhar meu amor, não é por isso que deixo de querer estar contigo, de querer fazer coisas que me dão prazer e etcetera... Não podemos deixar coisa alguma conduzir a nossa vida para um buraco. Porque se você deixa, quem te olhará de frente é "o próprio buraco" e a actração é fatal!», interrompeu Eugênia com sua força interior, um bocado farta de ver e ouvir o Manuel em viagens depressivas.
«Eu te adoro. Mesmo quando entras nesta fase de mergulho interior. Confesso que morro de saudades tuas quando te vejo assim, a caminho do seu abismo. Mas te amo tanto, que não me importo de esperar que você finalmente retorne. Quero que saibas, que apesar de estar falando de uma forma figurada, te juro, pelo amor que te tenho, que mesmo cansada de esperar, jamais perderei as forças de te rever outra vez recuperado. E não importa quantas vezes você mergulhe. Eu estarei sempre a sua espera.». Continuou, ela.
Manuel a ouvia e Eugênia sem parar de olhar nos seus olhos, concluíra: «Mas também não esqueça Manuel que eu sou tão humana como você, e preciso de carinho, atenção e respeito. Portanto, enquanto você vai e vem no seu estado de depressão, podes estar perdendo alguma coisa importante que ainda possuis...»
Ele não lhe deixou terminar. Colocando cada uma de suas mãos no joelho, levantou-se apressadamente e abraçou-a sem dizer uma palavra.
«Você não acha que devíamos mudar de casa? Eu já não me sinto bem aqui nesta casa, nem neste bairro, nem mesmo nesta cidade... Sinto-me muito infeliz», continuou ele.
Eugênia era uma mulher muito paciente e resignada. Não se preocupava muito com os problemas do dia a dia. Ía-os resolvendo a medida do possível, e independente de viver com o Manuel, ela levava uma vida mais leve que a dele. Não introspectava nada com muita seriedade e deixava que as coisas fluíssem normalmente. O que ela podia resolver, resolvia. O que não podia, deixava que outra pessoa resolvesse, ou pedia a Deus que ajudasse e esperava que Ele mesmo resolvesse, se ela sentisse que não tinha capacidades.
Manuel continuava a falar, sempre olhando para suas próprias mãos a esfregarem-se uma na outra. « Queria ir para uma cidade maior, onde os problemas se dissipassem e que ninguém soubesse das nossas vidas..»
«Para que Manuel», perguntou ela, «Mudar-se para entrar no anonimato, é esta a razão da sua vontade? Tens que arranjar uma desculpa melhor. Tens que perguntar a ti mesmo o que deseja fazer na cidade realmente. Só e somente só, perguntar a ti o que você deseja da sua vida. E não ficar se lamentando que aqui ninguém gosta de ti, e que aqui ninguém te dá oportunidades, que aqui as pessoas são isso ou aquilo... porque se você não tem sorte, é porque não acredita nela meu querido.»
«Mas..», disse Manuel, tentando recuperar o folego que ela perdera para argumentar.
«Mas nada Manuel, o que você pensa que eu sinto em relação a esta terra? Não acha que também me sinto esquecida por esta gente e que vejo que ninguém me leva em consideração sequer como pessoa?, mas não é por isso que deixo de sonhar meu amor, não é por isso que deixo de querer estar contigo, de querer fazer coisas que me dão prazer e etcetera... Não podemos deixar coisa alguma conduzir a nossa vida para um buraco. Porque se você deixa, quem te olhará de frente é "o próprio buraco" e a actração é fatal!», interrompeu Eugênia com sua força interior, um bocado farta de ver e ouvir o Manuel em viagens depressivas.
«Eu te adoro. Mesmo quando entras nesta fase de mergulho interior. Confesso que morro de saudades tuas quando te vejo assim, a caminho do seu abismo. Mas te amo tanto, que não me importo de esperar que você finalmente retorne. Quero que saibas, que apesar de estar falando de uma forma figurada, te juro, pelo amor que te tenho, que mesmo cansada de esperar, jamais perderei as forças de te rever outra vez recuperado. E não importa quantas vezes você mergulhe. Eu estarei sempre a sua espera.». Continuou, ela.
Manuel a ouvia e Eugênia sem parar de olhar nos seus olhos, concluíra: «Mas também não esqueça Manuel que eu sou tão humana como você, e preciso de carinho, atenção e respeito. Portanto, enquanto você vai e vem no seu estado de depressão, podes estar perdendo alguma coisa importante que ainda possuis...»
Ele não lhe deixou terminar. Colocando cada uma de suas mãos no joelho, levantou-se apressadamente e abraçou-a sem dizer uma palavra.
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