«Eu não quero que você compre este produto porque eu estou dizendo que é bom. Quero que compre porque está convencido de que tem necessidade. Nada mais...»
«Mas, eu não tenho necessidade de tê-lo, e de qualquer forma, também não tenho possibilidade de comprar, meu amigo...»
«Quanto a isto não tenhas problemas. Dou facilidade para o pagamento e você não vai sentir dificuldades em obter o produto que tanto lhe faz falta!»
«Mas eu mesmo assim não quero. Tenho outras coisas mais importantes para pagar e não quero entrar em despesas desnecessárias... E...»
«Não te aborreças comigo, mas tenho que repetir que este produto fará bem a sua saúde e no futuro irá me agradecer por ter aparecido na sua vida mesmo a tempo.»
«Não, obrigado. Aliás, também agradeço o seu interesse pela minha saúde, mas também não querendo ser muito aborrecido, prefiro não comprar o seu produto, prefiro não me meter em novas despesas e também prefiro continuar a ser seu amigo...»
«Como podes fazer isto comigo? Você não sabe que a minha vida financeira está um caos? Eu estou tentando te vender o meu produto e você vem falar de amizade quando não me está ajudando em nada??... Francamente»
«Agora você é que está a confudir as coisas. Sou seu amigo, mas não sou o seu cliente. Devias procurar um cliente e deixar desta conversa comigo!»
«Você não sabe o que diz e eu já não quero ser seu amigo. Estou farto de andar por estas ruas e bater de porta em porta e ninguém me dá atenção... Nem você, que se diz meu amigo...»
«Olhe... O que está acontecendo, é que você já está um bocado alienado com o seu negócio e depositou toda a sua crença nele. Como já não consegue ver mais nenhuma saída para o seu problema, pensa que a única solucão será vendendo este produto caríssimo e que não encaixa na bolsa familiar de ninguém... Estás realmente se tornando um chato!»
«...»
«Pronto... Desculpe-me, mas tinha que falar.»
«...»
«Vá lá... Esqueça tudo isto. Relaxe. Deixe de me ver como um potencial cliente e vamos beber um copo de cerveja enquanto mudamos de assunto. Lembra-se quando nos reuníamos no sábado a noite com Carlitos, Zé da Jaca e Manezinho? Lembra da cara que a mãe do Zé fazia quando a gente chegava para buscá-lo? E a Clotilde?...»
«Lembro, pois... Bons tempos! Nunca pensamos que algum dia tivéssemos que nos preocupar com ganhar dinheiro... Que saudade que me dá desta altura da vida, meu amigo!!...»
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terça-feira, 2 de outubro de 2007
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Manuel não ouve Eugénia (5)
Manuel não percebe o que Eugénia pretende fazer da sua vida e ela não consegue fazer com que ele compreenda.
Existe no Manuel uma força vital que lhe indica o caminho da masculinidade, da força, do sentido de protecção e de uma suposta sabedoria que só ele sente.
Eugénia tenta todos os dias fazê-lo ver a necessidade que há dele escutá-la, mas ele parece não querer ouvir.
Ela chora, quase todos os dias e ele continua a não sentir a sua dor. Deixa que utilize o seu corpo para saciar os prazeres latente do seu membro viril e ela aproveita o momento sem deixar que nenhum pensamento possa interferir.
No final, Manuel diz sempre umas palavras de carinho e continua a beijá-la no ombro e a acariciar seus longos cabelos, mas não a quer ouvir falar... e ela se cala...
Eugénia pensa...
"Amanhã Manuel, temos que ter uma longa conversa... Acabou aqui a sua indiferença ou a falta de coragem de me ver mulher, empreededora, sábia e lutadora... Acabou aqui o meu caminho de dependência...
Não vou dizer que quero partir, porque não posso fazer isto contigo, mas vou em frente, "com" ou "sem" você Manuel"...
Subia as escadas, foi até ao sotão e tirou de lá uma caixa que o Manuel nunca tinha visto antes...
Y en español...
Manuel no oye Eugénia (5)
Manuel no entiende lo que Eugénia pretende hacer de su vida y ella no consigue hacer que él comprenda.
Existe en Manuel una fuerza vital que le indica el camino de la masculinidad, de la fuerza, de lo sentido de proteción y de una supuesta sabedoría que solamente él siente.
Eugénia intenta todos los dias hacerle ver la necesidad que hay de que él la escuche, pero él parece no querer oir.
Ella llora, casi todos los dias y él sigue sin sentir su dolor. Deja que utilice su cuerpo para saciar los placeres latientes de su miembro viril y ella aprovecha el momento sin dejar que ningún pensamiento pueda interferir.
En el final, Manuel dije siempre unas palabras cariñosas y continúa besandolá en su hombro y acariciandole sus largos cabellos, pero no la quiere oír hablar... y ella se calla...
Eugénia piensa...
“Mañana Manuel, tenemos que tener una larga conversación... Acabó aquí su indiferencia o la falta de corage de mirarme como una mujer, emprendedora, sábia y luchadora... Acabó aquí mi camino de dependencia...
No voy a decir que quiero partir porque no puedo hacer esto contigo, pero voy adelante “con” o “sin” usted Manuel”...
Subió las escaleras, fue hasta el trastero y cogio de allí una caja que Manuel nunca habia visto antes...
Existe no Manuel uma força vital que lhe indica o caminho da masculinidade, da força, do sentido de protecção e de uma suposta sabedoria que só ele sente.
Eugénia tenta todos os dias fazê-lo ver a necessidade que há dele escutá-la, mas ele parece não querer ouvir.
Ela chora, quase todos os dias e ele continua a não sentir a sua dor. Deixa que utilize o seu corpo para saciar os prazeres latente do seu membro viril e ela aproveita o momento sem deixar que nenhum pensamento possa interferir.
No final, Manuel diz sempre umas palavras de carinho e continua a beijá-la no ombro e a acariciar seus longos cabelos, mas não a quer ouvir falar... e ela se cala...
Eugénia pensa...
"Amanhã Manuel, temos que ter uma longa conversa... Acabou aqui a sua indiferença ou a falta de coragem de me ver mulher, empreededora, sábia e lutadora... Acabou aqui o meu caminho de dependência...
Não vou dizer que quero partir, porque não posso fazer isto contigo, mas vou em frente, "com" ou "sem" você Manuel"...
Subia as escadas, foi até ao sotão e tirou de lá uma caixa que o Manuel nunca tinha visto antes...
Y en español...
Manuel no oye Eugénia (5)
Manuel no entiende lo que Eugénia pretende hacer de su vida y ella no consigue hacer que él comprenda.
Existe en Manuel una fuerza vital que le indica el camino de la masculinidad, de la fuerza, de lo sentido de proteción y de una supuesta sabedoría que solamente él siente.
Eugénia intenta todos los dias hacerle ver la necesidad que hay de que él la escuche, pero él parece no querer oir.
Ella llora, casi todos los dias y él sigue sin sentir su dolor. Deja que utilice su cuerpo para saciar los placeres latientes de su miembro viril y ella aprovecha el momento sin dejar que ningún pensamiento pueda interferir.
En el final, Manuel dije siempre unas palabras cariñosas y continúa besandolá en su hombro y acariciandole sus largos cabellos, pero no la quiere oír hablar... y ella se calla...
Eugénia piensa...
“Mañana Manuel, tenemos que tener una larga conversación... Acabó aquí su indiferencia o la falta de corage de mirarme como una mujer, emprendedora, sábia y luchadora... Acabó aquí mi camino de dependencia...
No voy a decir que quiero partir porque no puedo hacer esto contigo, pero voy adelante “con” o “sin” usted Manuel”...
Subió las escaleras, fue hasta el trastero y cogio de allí una caja que Manuel nunca habia visto antes...
sábado, 1 de setembro de 2007
Eugénia e o Bolo (4)
Manuel levantou-se, deu um beijo a Eugénia e foi trabalhar.
Eugénia, espreguiçou-se e colocou a mão no rosto no lugar onde Manuel beijou e sonhou com seus abraços... Agarrou os dois travesseiros e adormeceu mais um pouquinho... Mais tarde, abriu os olhos, olhou atrávés da janela e viu que o sol já ia muito alto. Fazia calor, mas Eugénia não sentia nada pela natureza naquele dia. Olhou o céu, sem nuvens com um total de azul claro que até lhe parecia sem graça. Nem um pássaro ousou cortar este tédio da paisagem. Levantou-se e viu que as árvores tinham as folhas completamente paradas... nem uma brisa passava. Notava-se que seria um dia de intenso calor... Mas Eugénia permanecia fria e ainda tinha cobertores por cima do seu corpo.
Continuou a olhar fixamente para o céu e lembrou-se de ver a sua mãe um dia encostada à janela a chorar... Eugénia perguntou a ela, naquele dia, o que se passava... E a resposta, foi exactamente pelo mesmo motivo que ela estava passando vinte e seis anos depois... problemas financeiros sem respostas. Na época não lhe pode ajudar e de qualquer forma as coisas se resolveram.
Eugénia bateu os olhos e respirou fundo. Tirou da lembrança do passado o alento de que, tudo se resolve, mesmo que não saibamos como!
Levantou-se e resolveu ir comprar o pão. Saiu de casa e lentamente percorreu as avenidas do lugar. Entrou na padaria e além do pão, comprou um bolo. Sentia-se carente e precisava de alguma coisa doce para comer.
Quando chegou em casa, perguntou a Manuel se ele queria, mas ele não tinha vontade alguma de comer o bolo... Eugénia não se importou. Colocou o bolo no prato e com um garfo na mão foi se sentar na mesa da sala.
Ficou alguns minutos a olhar o bolo e não sabe porque, também não apetecia comé-lo... apetecia esmagá-lo!!
E esmagou... e espalhou o bolo na mesa e chorou...
De repente, sentiu-se melhor e começou a comer o bolo que transformado em pequenas migalhas parecia que lhe devolvia a doçura à vida, mesmo destroçado.
Eugénia imaginou que era assim que a VIDA devia sentir em relação a nós.
Destruímo-la por um momento e no outro ela nos acolhe da mesma maneira que a deixamos... aos pedaços!
Amanhã já não haverá migalhas na mesa. Eugénia decidiu reunir tudo o que havia destroçado.
Manuel apareceu com duas chávenas de café e disse-lhe que naquela manhã ela estava muito bonita...
Eugénia deixou o seu coração disparar e já não se sentia tão fria.
Y para mis amigos españoles... más uno intento!! (Si tubiera mal escrito, por favor hablan para mí en joicepaulo@gmail.com) Gracias...
Eugénia y el Bollo (4)
Manuel levantóse, deo un beso en Eugénia y fue trabajar.
Eugénia desperezóse, puso su mano en la plaza donde Manuel la había besado y sueñó con sus brazos... Cogió a las dos almohadas y adormeceó un poquito más... Más tarde, abrió los ojos, miró a través de la ventana y vio que el sol ya se iba muy alto. Hacia calor, pero Eugénia no sentia nada por la naturaleza en ese día. Miró el cielo sien nube con una totalidade de azul claro que hasta parecia sin gracia. Ni un pájaro arriscóse cortar ese tedio de la paisaje. Levantóse y vio que los árboles teniam las hojas completamente paradas... ni una brisa pasaba. Notabáse que seria un día de intenso calor... Pero Eugénia permanecia fria y aún tenia manta por encima de su cuerpo.
Continuó a mirar de hito para el cielo y recordóse de ver su madre un día apoyada a la ventana a llorar... Eugénia preguntó a ella, entonces, lo que pasaba... Y la respuesta fue la misma del mismo motivo que ella estaba pasando hacia viente e seis años después... problemas financieros sin respuestas. En la época no le podría ayudar y de cualquier manera las cosas se resolveran.
Eugénia bateo los ojos y respiró fondo. Tiró de la recordación del pasado el aliento de que, tudo se resolve, mismo que no supiésemos como!
Levantóse y resolveo ir comprar pan. Saio de su casa y despacio andó con su coche por las calles del lugar. Entró en la panaderia y allá del pan, compró un bollo. Sentiase carente e necesitaba alguna cosa dulce para comer.
Cuando llegó en casa, preguntó a Manuel se él queria un poco, pero él no tenia voluntad alguna de comer el bollo... Eugénia no se ha incomodado. Colocó el bollo en uno plato y con uno tenedor en la mano fue sentarse a la mesa de la sala.
Quedó algunos minutos mirando el bollo y no se sabe porque, también no tenia voluntad de comélo... Queria aplastálo!!...
Y aplastó... esparció el bollo en la mesa y lloró...
De repente, sentiose mejor y comenzó a comer el bollo que cambiado en migaja parecia que le devolvia la dozura a la vida, mismo destrozado.
Eugénia imaginó que era así que la VIDA debia sentir en relación a nosotros.
Destruymola por uno momento y en otro ella coge a nosotros de la misma manera que la dejamos... a los pedazos!
Mañana ya no hay migaja en la mesa. Eugénia decidió unir todo lo que habia destrozado.
Manuel apareceo con dos vasos de café y dije que naquela mañana ella estava muy bonita...Eugénia dejó su corazón disparar y ya no se sentia tan fria.
Eugénia, espreguiçou-se e colocou a mão no rosto no lugar onde Manuel beijou e sonhou com seus abraços... Agarrou os dois travesseiros e adormeceu mais um pouquinho... Mais tarde, abriu os olhos, olhou atrávés da janela e viu que o sol já ia muito alto. Fazia calor, mas Eugénia não sentia nada pela natureza naquele dia. Olhou o céu, sem nuvens com um total de azul claro que até lhe parecia sem graça. Nem um pássaro ousou cortar este tédio da paisagem. Levantou-se e viu que as árvores tinham as folhas completamente paradas... nem uma brisa passava. Notava-se que seria um dia de intenso calor... Mas Eugénia permanecia fria e ainda tinha cobertores por cima do seu corpo.
Continuou a olhar fixamente para o céu e lembrou-se de ver a sua mãe um dia encostada à janela a chorar... Eugénia perguntou a ela, naquele dia, o que se passava... E a resposta, foi exactamente pelo mesmo motivo que ela estava passando vinte e seis anos depois... problemas financeiros sem respostas. Na época não lhe pode ajudar e de qualquer forma as coisas se resolveram.
Eugénia bateu os olhos e respirou fundo. Tirou da lembrança do passado o alento de que, tudo se resolve, mesmo que não saibamos como!
Levantou-se e resolveu ir comprar o pão. Saiu de casa e lentamente percorreu as avenidas do lugar. Entrou na padaria e além do pão, comprou um bolo. Sentia-se carente e precisava de alguma coisa doce para comer.
Quando chegou em casa, perguntou a Manuel se ele queria, mas ele não tinha vontade alguma de comer o bolo... Eugénia não se importou. Colocou o bolo no prato e com um garfo na mão foi se sentar na mesa da sala.
Ficou alguns minutos a olhar o bolo e não sabe porque, também não apetecia comé-lo... apetecia esmagá-lo!!
E esmagou... e espalhou o bolo na mesa e chorou...
De repente, sentiu-se melhor e começou a comer o bolo que transformado em pequenas migalhas parecia que lhe devolvia a doçura à vida, mesmo destroçado.
Eugénia imaginou que era assim que a VIDA devia sentir em relação a nós.
Destruímo-la por um momento e no outro ela nos acolhe da mesma maneira que a deixamos... aos pedaços!
Amanhã já não haverá migalhas na mesa. Eugénia decidiu reunir tudo o que havia destroçado.
Manuel apareceu com duas chávenas de café e disse-lhe que naquela manhã ela estava muito bonita...
Eugénia deixou o seu coração disparar e já não se sentia tão fria.
Y para mis amigos españoles... más uno intento!! (Si tubiera mal escrito, por favor hablan para mí en joicepaulo@gmail.com) Gracias...
Eugénia y el Bollo (4)
Manuel levantóse, deo un beso en Eugénia y fue trabajar.
Eugénia desperezóse, puso su mano en la plaza donde Manuel la había besado y sueñó con sus brazos... Cogió a las dos almohadas y adormeceó un poquito más... Más tarde, abrió los ojos, miró a través de la ventana y vio que el sol ya se iba muy alto. Hacia calor, pero Eugénia no sentia nada por la naturaleza en ese día. Miró el cielo sien nube con una totalidade de azul claro que hasta parecia sin gracia. Ni un pájaro arriscóse cortar ese tedio de la paisaje. Levantóse y vio que los árboles teniam las hojas completamente paradas... ni una brisa pasaba. Notabáse que seria un día de intenso calor... Pero Eugénia permanecia fria y aún tenia manta por encima de su cuerpo.
Continuó a mirar de hito para el cielo y recordóse de ver su madre un día apoyada a la ventana a llorar... Eugénia preguntó a ella, entonces, lo que pasaba... Y la respuesta fue la misma del mismo motivo que ella estaba pasando hacia viente e seis años después... problemas financieros sin respuestas. En la época no le podría ayudar y de cualquier manera las cosas se resolveran.
Eugénia bateo los ojos y respiró fondo. Tiró de la recordación del pasado el aliento de que, tudo se resolve, mismo que no supiésemos como!
Levantóse y resolveo ir comprar pan. Saio de su casa y despacio andó con su coche por las calles del lugar. Entró en la panaderia y allá del pan, compró un bollo. Sentiase carente e necesitaba alguna cosa dulce para comer.
Cuando llegó en casa, preguntó a Manuel se él queria un poco, pero él no tenia voluntad alguna de comer el bollo... Eugénia no se ha incomodado. Colocó el bollo en uno plato y con uno tenedor en la mano fue sentarse a la mesa de la sala.
Quedó algunos minutos mirando el bollo y no se sabe porque, también no tenia voluntad de comélo... Queria aplastálo!!...
Y aplastó... esparció el bollo en la mesa y lloró...
De repente, sentiose mejor y comenzó a comer el bollo que cambiado en migaja parecia que le devolvia la dozura a la vida, mismo destrozado.
Eugénia imaginó que era así que la VIDA debia sentir en relación a nosotros.
Destruymola por uno momento y en otro ella coge a nosotros de la misma manera que la dejamos... a los pedazos!
Mañana ya no hay migaja en la mesa. Eugénia decidió unir todo lo que habia destrozado.
Manuel apareceo con dos vasos de café y dije que naquela mañana ella estava muy bonita...Eugénia dejó su corazón disparar y ya no se sentia tan fria.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Altas horas
Era uma mulher que estava sempre acordada até altas horas.
Imaginava-se em outras paragens.
Viu-se em frente ao mar caminhando para dentro d'água e sentando em uma pedra com musgos e limo, brinca com as conchas enterradas na areia. Respira tranquilamente dentro de toda aquela água. Não se afoga porque o fluido entra pelas narinas e sai pela boca. Tão simples como respirar com ar.
Via-se a olhar os peixes que encaram com admiração o seu tamanho e forma... Imaginava-se nua da cintura para cima, como uma sereia apaixonada, com longos cabelos vermelhos e cauda de peixe colorida... Via-se calma e em silêncio...
Hoje o tempo parece tranquilo. O mar parece um espelho com o reflexo da lua prateando pequenos pontos. Os peixes começam a adormecer ao limite do oceano...
...E a luz continuava acesa até altas horas da noite, pois a mulher sonhava com a paz...
Silêncio... Aqui reina um momento único. Um momento pessoal e raro.
Imaginava-se em outras paragens.
Viu-se em frente ao mar caminhando para dentro d'água e sentando em uma pedra com musgos e limo, brinca com as conchas enterradas na areia. Respira tranquilamente dentro de toda aquela água. Não se afoga porque o fluido entra pelas narinas e sai pela boca. Tão simples como respirar com ar.
Via-se a olhar os peixes que encaram com admiração o seu tamanho e forma... Imaginava-se nua da cintura para cima, como uma sereia apaixonada, com longos cabelos vermelhos e cauda de peixe colorida... Via-se calma e em silêncio...
Hoje o tempo parece tranquilo. O mar parece um espelho com o reflexo da lua prateando pequenos pontos. Os peixes começam a adormecer ao limite do oceano...
...E a luz continuava acesa até altas horas da noite, pois a mulher sonhava com a paz...
Silêncio... Aqui reina um momento único. Um momento pessoal e raro.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Carolina e Artur
...Até que um dia, Carolina não queria mais estar em casa a dar trabalho ao Artur e aos seus filhos. Estava, dia após dia a se sentir culpada, por todos os desconfortos que causava à sua família pelo facto de não conseguir andar. Lembrava que nunca pôde correr com seus filhos pelo parque ou nadar na praia ao lado deles, e que nem ao menos aprendeu a conduzir. E por isto, pediu a Artur que verificasse se não havia nenhuma escola de condução para deficientes que a pudesse ajudar, e que por favor, procurasse um carro que fosse adaptado para o estado físico que ela se encontrava.
Artur ficou muito contente com a demonstração de interesse que a Carolina estava sentindo em relação à sua família, e não demorou muito em sair para procurar informações em todas as auto-escolas que estavam ao seu alcance próximo a sua morada, para que fosse fácil a ida de Carolina até lá.
Saiu ele de sua casa uma manhã em que inexplicavelmente fazia frio e chovia. Apesar de estarem no Verão, o dia amanheceu cinzento e a ameaça de chuva terminou por se concretizar.
Artur estacionou o carro na posição mais viável para sair correndo sem se molhar demasiado e atravessou a rua quase sem olhar para os lados, pois tinha certeza que não viria ninguém por aquela via... Mas veio um carro pela contra mão e mesmo tentando fazer uma travagem, o piso molhado não o deixou parar, apanhando Artur em cheio pelas pernas.
Artur não desmaiou, nem sentiu dores. Apenas parecia que, de olhos abertos, via como um filme todos os sentimentos que passou pela cabeça de sua amada esposa no dia do acidente que a deixou sem as pernas... E só o que lhe passava pela mente era o que seria do seu futuro dali para frente... como ela também havia pensado.
Artur não teve a presença de Carolina como ela teve à ele naquele dia, mas a tinha no pensamento, e de uma maneira tão forte que mesmo em casa, Carolina em sua cadeira de rodas, foi até o telefone e ligou para ele.
«Artur, estás bem? Não sei porque tive uma sensação ruim, meu amor... Estive pensando na minha idéia de conduzir e me tornar menos dependente de vocês, e sinceramente, acho que já não me importo... Se vocês nunca se queixaram, penso que é um preciosismo da minha parte. E na verdade o que eu mais quero, é que você esteja sempre ao meu lado Artur!... Eu te amo muito!»
Carolina não sabia o que lhe tinha acontecido, mas Artur já estava no Hospital e já sabia que não mais poderia andar. Tinha ficado paraplégico com o embate e teria que estar também em cadeira de rodas para o resto da sua vida...
Mas felizmente... Ao lado da sua Carolina!
Artur ficou muito contente com a demonstração de interesse que a Carolina estava sentindo em relação à sua família, e não demorou muito em sair para procurar informações em todas as auto-escolas que estavam ao seu alcance próximo a sua morada, para que fosse fácil a ida de Carolina até lá.
Saiu ele de sua casa uma manhã em que inexplicavelmente fazia frio e chovia. Apesar de estarem no Verão, o dia amanheceu cinzento e a ameaça de chuva terminou por se concretizar.
Artur estacionou o carro na posição mais viável para sair correndo sem se molhar demasiado e atravessou a rua quase sem olhar para os lados, pois tinha certeza que não viria ninguém por aquela via... Mas veio um carro pela contra mão e mesmo tentando fazer uma travagem, o piso molhado não o deixou parar, apanhando Artur em cheio pelas pernas.
Artur não desmaiou, nem sentiu dores. Apenas parecia que, de olhos abertos, via como um filme todos os sentimentos que passou pela cabeça de sua amada esposa no dia do acidente que a deixou sem as pernas... E só o que lhe passava pela mente era o que seria do seu futuro dali para frente... como ela também havia pensado.
Artur não teve a presença de Carolina como ela teve à ele naquele dia, mas a tinha no pensamento, e de uma maneira tão forte que mesmo em casa, Carolina em sua cadeira de rodas, foi até o telefone e ligou para ele.
«Artur, estás bem? Não sei porque tive uma sensação ruim, meu amor... Estive pensando na minha idéia de conduzir e me tornar menos dependente de vocês, e sinceramente, acho que já não me importo... Se vocês nunca se queixaram, penso que é um preciosismo da minha parte. E na verdade o que eu mais quero, é que você esteja sempre ao meu lado Artur!... Eu te amo muito!»
Carolina não sabia o que lhe tinha acontecido, mas Artur já estava no Hospital e já sabia que não mais poderia andar. Tinha ficado paraplégico com o embate e teria que estar também em cadeira de rodas para o resto da sua vida...
Mas felizmente... Ao lado da sua Carolina!
terça-feira, 26 de junho de 2007
Artur e Carolina
Artur via as pernas de sua amada todos os dias pela porta da sua oficina.
Como se encontrava em um nível inferior do passeio em que ela passava todos os dias, ele não perdia um só dia em que ela fosse andar por ali.
Carolina era enfermeira e cumpridora de suas tarefas e horários. Não sabia que Artur estava perdidamente apaixonado por ela e muito menos que ele apreciava as suas pernas todos os dias...
Um dia ele disse a um amigo... «Está vendo aquela mulher que ali vai?...Um dia ela vai ser só minha» e completava, «... e como é enfermeira, com certeza é a mulher certa para cuidar de mim na minha velhice!».
Mas quis o destino que as coisas fossem diferente daquilo que ele imaginava... Artur naquela manhã, trabalhava tranquilamente e esqueceu da sua amada. Não olhou para cima para esperar que ela passasse na mesma hora que estava habituada... E ela passou, mas ele não viu. O que aconteceu, é que ele OUVIU um barulho terrível de um carro que travou bruscamente na rua e um grito pavoroso.
Artur saiu a correr da oficina e viu que a roda de um caminhão tinha soltado e rolando foi atingir a sua amada no passeio, onde se encontrava desmaiada e com sangue a sair da sua cabeça.
Artur ficou desesperado. Nunca pensou que a primeira vez que lhe abraçaria como estava a fazer, seria naquelas circuntâncias.
Chamou por socorro e rapidamente veio uma ambulância. Ele só teve tempo de dizer a um amigo para lhe fechar a loja e fez questão de acompanhar Carolina até o Hospital.
Quando chegaram, viu que todos os seus colegas vieram ver o que lhe tinha acontecido, e o trataram como se fosse o companheiro dela. Levaram-no para uma sala e lhe deram um calmante. Passado uns minutos, um psicólogo clínico veio conversar com ele e dizer que a partir daquele instante Carolina iria precisar de todo o amor e carinho que ele pudesse dar, pois o golpe que ela teve na cabeça e os ferimentos nas pernas, não teria outro remédio. Ela com o tempo recuperaria a memória, mas infelizmente iria perder as pernas.
Nunca mais Artur a deixou. Consta que assim que ela recuperou a memória, já sabia quem ele era e aceitou o convite de casamento. Hoje, eles já tem dois filhos saudáveis. Uma já enfermeira e o outro segue os trabalhos da oficina do pai.
(E viveram felizes para sempre... Até que...)
Como se encontrava em um nível inferior do passeio em que ela passava todos os dias, ele não perdia um só dia em que ela fosse andar por ali.
Carolina era enfermeira e cumpridora de suas tarefas e horários. Não sabia que Artur estava perdidamente apaixonado por ela e muito menos que ele apreciava as suas pernas todos os dias...
Um dia ele disse a um amigo... «Está vendo aquela mulher que ali vai?...Um dia ela vai ser só minha» e completava, «... e como é enfermeira, com certeza é a mulher certa para cuidar de mim na minha velhice!».
Mas quis o destino que as coisas fossem diferente daquilo que ele imaginava... Artur naquela manhã, trabalhava tranquilamente e esqueceu da sua amada. Não olhou para cima para esperar que ela passasse na mesma hora que estava habituada... E ela passou, mas ele não viu. O que aconteceu, é que ele OUVIU um barulho terrível de um carro que travou bruscamente na rua e um grito pavoroso.
Artur saiu a correr da oficina e viu que a roda de um caminhão tinha soltado e rolando foi atingir a sua amada no passeio, onde se encontrava desmaiada e com sangue a sair da sua cabeça.
Artur ficou desesperado. Nunca pensou que a primeira vez que lhe abraçaria como estava a fazer, seria naquelas circuntâncias.
Chamou por socorro e rapidamente veio uma ambulância. Ele só teve tempo de dizer a um amigo para lhe fechar a loja e fez questão de acompanhar Carolina até o Hospital.
Quando chegaram, viu que todos os seus colegas vieram ver o que lhe tinha acontecido, e o trataram como se fosse o companheiro dela. Levaram-no para uma sala e lhe deram um calmante. Passado uns minutos, um psicólogo clínico veio conversar com ele e dizer que a partir daquele instante Carolina iria precisar de todo o amor e carinho que ele pudesse dar, pois o golpe que ela teve na cabeça e os ferimentos nas pernas, não teria outro remédio. Ela com o tempo recuperaria a memória, mas infelizmente iria perder as pernas.
Nunca mais Artur a deixou. Consta que assim que ela recuperou a memória, já sabia quem ele era e aceitou o convite de casamento. Hoje, eles já tem dois filhos saudáveis. Uma já enfermeira e o outro segue os trabalhos da oficina do pai.
(E viveram felizes para sempre... Até que...)
sábado, 23 de junho de 2007
O drama financeiro de Eugênia (4)
Eugênia não parava no lugar. Andava de um lado para o outro, fazendo uma coisa aqui e outra ali. Seu pensamento andava entre o passado, o presente e o futuro. Sabia que tinha que resolver a sua vida de uma vez por todas, mas não se sentia nem com coragem nem com capacidade para decidir o que seria mais certo para ela e para a sua família.
Pensou que mergulhando em tarefas domésticas cansaria o seu corpo e assim a sua alma poderia se ver obrigada a descansar.
Mas não deu certo, e quanto mais Eugênia pensava e se fechava nela própria, mais deprimida e calada ficava.
Tentou buscar esperanças nos livros que possuia de desenvolvimento pessoal ou em DVD's de filmes que lhe mostrasse dramas maiores que o seu, mesmo assim, foi tudo em vão...
Hoje Eugênia reza para que as coisas se resolvam por outros meios... Está cansada de tentar corrigir os erros do passado.
...
Manuel, não está diferente dela, mas neste momento... Manuel, dorme...
Pensou que mergulhando em tarefas domésticas cansaria o seu corpo e assim a sua alma poderia se ver obrigada a descansar.
Mas não deu certo, e quanto mais Eugênia pensava e se fechava nela própria, mais deprimida e calada ficava.
Tentou buscar esperanças nos livros que possuia de desenvolvimento pessoal ou em DVD's de filmes que lhe mostrasse dramas maiores que o seu, mesmo assim, foi tudo em vão...
Hoje Eugênia reza para que as coisas se resolvam por outros meios... Está cansada de tentar corrigir os erros do passado.
...
Manuel, não está diferente dela, mas neste momento... Manuel, dorme...
segunda-feira, 18 de junho de 2007
A menina doce
Era uma vez, uma menina muito doce e pura. Sonhava em encontrar o seu príncipe encantado, como nos contos de fadas.
Brincava todos os dias a tirar pétalas das margaridas e dizer:
«Bem me quer, mal me quer... Bem me quer, mal me quer...»
Um dia ele apareceu. Lindo... Alto... Bem falante e elegante. Olhou para ela, curvou-se a sua frente, pegou-lhe na mão e dizendo poucas palavras, a conquistou.
A menina doce e pura, passou a ver o princípe encantado todos os dias. E cada dia que o via, mais apaixonada ficava.
Um dia, ela deixou de ser pura, mas continuava doce. Tão doce que não via o que ele lhe fazia. Passou a ser uma menina doce e inocente.
Um dia a menina perdeu o seu princípe para outra menina só doce. E no dia seguinte ela descobriu que junto a ela, estavam a chorar pelos cantos, outras meninas doces e puras que ele também havia deixado.
E assim, não viveram felizes para sempre!
Brincava todos os dias a tirar pétalas das margaridas e dizer:
«Bem me quer, mal me quer... Bem me quer, mal me quer...»
Um dia ele apareceu. Lindo... Alto... Bem falante e elegante. Olhou para ela, curvou-se a sua frente, pegou-lhe na mão e dizendo poucas palavras, a conquistou.
A menina doce e pura, passou a ver o princípe encantado todos os dias. E cada dia que o via, mais apaixonada ficava.
Um dia, ela deixou de ser pura, mas continuava doce. Tão doce que não via o que ele lhe fazia. Passou a ser uma menina doce e inocente.
Um dia a menina perdeu o seu princípe para outra menina só doce. E no dia seguinte ela descobriu que junto a ela, estavam a chorar pelos cantos, outras meninas doces e puras que ele também havia deixado.
E assim, não viveram felizes para sempre!
segunda-feira, 11 de junho de 2007
O Dilema de Ângela
Angêla não sabia mais o que fazer para que o marido entendesse que ele tinha que contribuir para o orçamento familiar com mais responsabilidade. Já tinha tentado com conversa e terminava sempre em gritos e ameaças de que a iria deixar se ela continuasse a lhe pedir mais dinheiro.
Eles não tinham uma vida muito má, mas depois que o único filho que tínham adoeceu e precisou de cuidados médicos intensivos no Hospital, todas as economias que Angêla tinha foi empregue na saúde do seu filho.
Seu marido, entre uma mistura de revolta e insatisfação pessoal, porque ela já não dava tanta atenção a ele, procurou outra mulher na rua para passar horas mais felizes.
Angêla tinham muitas amigas e através de uma delas, veio a saber que seu marido tinha uma amante que recebia pagamentos pelos seus "serviços". Ficou muito angustiada e pensou inteligentemente no que poderia fazer... Foi procurar a mulher que o marido tinha encontrado o ombro e alento que precisava. Conversou com ela sobre os seus problemas com o filho e com seu marido, sem nunca dizer quem ele era. Também disse que não tinha coragem para trabalhar como ela, pois além de ter um emprego de muitos anos, tinha que estar no Hospital com seu filho que esperava por um transplante de coração.
A "Senhora" ficou muito comovida com a sua história e disse que incrivelmente tinha um cliente que também tinha o mesmo problema, mas não quer que ninguém ajude. «Eu própria já tentei ajudá-lo mas ele insiste em pagar pelo traballho. E por não me contentar com a sua resposta, guardo todo o dinheiro que ele me dá, em uma caixinha especial. E chamo esta caixinha carinhosamente, "Caixa da Boa Vontade". E já que é para ajudar uma criança com o mesmo problema, então quero que aceite esta caixa com todo o valor que tem no seu conteúdo. Assim sinto-me melhor e cada vez que este homem voltar aqui, o seu pagamento total dou a ti Angêla, para que cure o seu filho e volte a ser feliz com o seu marido. Sorte que eu nunca tive! Mas acredito que atrás de uma boa acção, há um salvação!», disse-lhe ela.
Eles não tinham uma vida muito má, mas depois que o único filho que tínham adoeceu e precisou de cuidados médicos intensivos no Hospital, todas as economias que Angêla tinha foi empregue na saúde do seu filho.
Seu marido, entre uma mistura de revolta e insatisfação pessoal, porque ela já não dava tanta atenção a ele, procurou outra mulher na rua para passar horas mais felizes.
Angêla tinham muitas amigas e através de uma delas, veio a saber que seu marido tinha uma amante que recebia pagamentos pelos seus "serviços". Ficou muito angustiada e pensou inteligentemente no que poderia fazer... Foi procurar a mulher que o marido tinha encontrado o ombro e alento que precisava. Conversou com ela sobre os seus problemas com o filho e com seu marido, sem nunca dizer quem ele era. Também disse que não tinha coragem para trabalhar como ela, pois além de ter um emprego de muitos anos, tinha que estar no Hospital com seu filho que esperava por um transplante de coração.
A "Senhora" ficou muito comovida com a sua história e disse que incrivelmente tinha um cliente que também tinha o mesmo problema, mas não quer que ninguém ajude. «Eu própria já tentei ajudá-lo mas ele insiste em pagar pelo traballho. E por não me contentar com a sua resposta, guardo todo o dinheiro que ele me dá, em uma caixinha especial. E chamo esta caixinha carinhosamente, "Caixa da Boa Vontade". E já que é para ajudar uma criança com o mesmo problema, então quero que aceite esta caixa com todo o valor que tem no seu conteúdo. Assim sinto-me melhor e cada vez que este homem voltar aqui, o seu pagamento total dou a ti Angêla, para que cure o seu filho e volte a ser feliz com o seu marido. Sorte que eu nunca tive! Mas acredito que atrás de uma boa acção, há um salvação!», disse-lhe ela.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Manuel desperta (3)
«Hoje acordei otimista! Acho que não posso ficar todos os dias a resmungar a minha vida sem procurar melhorar...», disse Manuel à Eugénia.
E continuou. «Ontem li na internet um episódio da vida do Thomas Edison e acho que tirei alguma lição...»
«Não esqueça que Edison tinha um QI de 240, Manuel.» Lembrou Eugénia com medo que ele quizesse se comparar ao inventor.
«Eu sei. Mas o que quero dizer é que li sobre uma vez que o seu laboratório incendiou-se e ele com o filho ao lado, via com desgosto, aos 67 anos de idade, os trabalhos de pesquisa de toda uma vida desaparecerem por completo. Enquanto os bombeiros tentavam apagar o fogo, o filho percebeu que o pai não dizia nem uma palavra, quando de repente falou:...»
«Deus me ajude!», pensou Eugénia, com medo de que Manuel tivesse descoberto algo de transcendental na vida do Edison para ele seguir.
«Disse ele ao seu filho, continuou Manuel. "Existe um grande valor num desastre como este. Todos os nossos erros são queimados. Graças a Deus e podemos começar tudo de novo”. E realmente Edison começou de novo. Até o incêndio ele tinha passado três anos tentando inventar o toca discos. Três semanas após o desastre ele conseguiu.»
«Que espectáculo Manuel. Agora já sei onde você quer chegar, disse Eugénia aliviada. Com certeza está disposto a vender a casa, pagar todas as dívidas que contraímos e começar tudo de novo...», concluiu Eugénia com um brilho nos olhos.
«É isso mesmo mulher. Acho que o seu QI também não é muito inferior, (gracejou). Vamos começar tudo de novo!!»
E continuou. «Ontem li na internet um episódio da vida do Thomas Edison e acho que tirei alguma lição...»
«Não esqueça que Edison tinha um QI de 240, Manuel.» Lembrou Eugénia com medo que ele quizesse se comparar ao inventor.
«Eu sei. Mas o que quero dizer é que li sobre uma vez que o seu laboratório incendiou-se e ele com o filho ao lado, via com desgosto, aos 67 anos de idade, os trabalhos de pesquisa de toda uma vida desaparecerem por completo. Enquanto os bombeiros tentavam apagar o fogo, o filho percebeu que o pai não dizia nem uma palavra, quando de repente falou:...»
«Deus me ajude!», pensou Eugénia, com medo de que Manuel tivesse descoberto algo de transcendental na vida do Edison para ele seguir.
«Disse ele ao seu filho, continuou Manuel. "Existe um grande valor num desastre como este. Todos os nossos erros são queimados. Graças a Deus e podemos começar tudo de novo”. E realmente Edison começou de novo. Até o incêndio ele tinha passado três anos tentando inventar o toca discos. Três semanas após o desastre ele conseguiu.»
«Que espectáculo Manuel. Agora já sei onde você quer chegar, disse Eugénia aliviada. Com certeza está disposto a vender a casa, pagar todas as dívidas que contraímos e começar tudo de novo...», concluiu Eugénia com um brilho nos olhos.
«É isso mesmo mulher. Acho que o seu QI também não é muito inferior, (gracejou). Vamos começar tudo de novo!!»
domingo, 3 de junho de 2007
A Lagarta
Encontrei uma lagarta tagarela no jardim. E parei para escutar:
«Eu nasci lagarta. Sou feia demais. Viscosa, gorda e lenta. Geralmente me alimento vorazmente. Sou gulosa. E por este motivo posso atingir um tamanho maior do que 10cm. Eu gosto mais dos frutos, minhas irmãs, gostam mais das folhas, por isso somos todas uma verdadeiras pragas no jardim, mas temos que sobreviver. De qualquer forma, algumas primas, fazem um casulo de seda e muita gente se aproveita para fazer roupa, sem se falar que até as comem coitadas...»
E a lagarta enquanto comia não parava de falar. E tampouco percebia a transformação que já se fazia na sua estrutura. Passou por toda a experiência de vida sem valorizar um só momento.
Cresceu-lhe umas asas enormes e coloridas nas costas. E ela continuava a falar...
«Ai que linda que estou. Duvido que haja alguma lagarta tão bonita quanto eu. Aliás se existir, com certeza é porque copiou a minha belezura. Não vou mais comer frutos, vou é sair por aí e conhecer o mundo. Ninguém me seguirá, porque eu voarei tão alto e tão longe que ninguém poderá me alcançar...»
E lá foi ela toda vaidosa, só e orgulhosa. Voou tão alto que mal se via, depois no fim do dia, chegou cansada. Pousou em uma folha pequenina, não aguentou nem abrir a boca... Suspirou e morreu.
...
Há uma moral nesta história de lagarta-borboleta. Mas cada um aplica como quiser. A moral é sempre nossa e é moldada pela forma como vivemos. Mas com certeza há uma moral comum.
«Eu nasci lagarta. Sou feia demais. Viscosa, gorda e lenta. Geralmente me alimento vorazmente. Sou gulosa. E por este motivo posso atingir um tamanho maior do que 10cm. Eu gosto mais dos frutos, minhas irmãs, gostam mais das folhas, por isso somos todas uma verdadeiras pragas no jardim, mas temos que sobreviver. De qualquer forma, algumas primas, fazem um casulo de seda e muita gente se aproveita para fazer roupa, sem se falar que até as comem coitadas...»
E a lagarta enquanto comia não parava de falar. E tampouco percebia a transformação que já se fazia na sua estrutura. Passou por toda a experiência de vida sem valorizar um só momento.
Cresceu-lhe umas asas enormes e coloridas nas costas. E ela continuava a falar...
«Ai que linda que estou. Duvido que haja alguma lagarta tão bonita quanto eu. Aliás se existir, com certeza é porque copiou a minha belezura. Não vou mais comer frutos, vou é sair por aí e conhecer o mundo. Ninguém me seguirá, porque eu voarei tão alto e tão longe que ninguém poderá me alcançar...»
E lá foi ela toda vaidosa, só e orgulhosa. Voou tão alto que mal se via, depois no fim do dia, chegou cansada. Pousou em uma folha pequenina, não aguentou nem abrir a boca... Suspirou e morreu.
...
Há uma moral nesta história de lagarta-borboleta. Mas cada um aplica como quiser. A moral é sempre nossa e é moldada pela forma como vivemos. Mas com certeza há uma moral comum.
sábado, 2 de junho de 2007
Eugénia reza para Iemanjá (2)
Eugénia acendeu uma vela para Iemanjá.
Antes de acender, ajoelhou-se, fechou os olhos e formulou um pedido...
"Minha Nossa Senhora da Conceição da Praia, minha amiga, mulher de sensibilidade infinita... ajuda-me a compreender estes momentos de aflição. Não me largue a mão Senhora. Ficaria perdida sem o seu apoio, mas concede-me uma outra oportunidade de crescimento já que perdi as outras que me deste. Chorando eu te peço que oriente o meu caminho..."
Acendeu a vela, com os olhos rasos d'água e levantou-se, mas não, sem antes olhar nos olhos de Iemanjá que parecia ter lhe ouvido e olhava penetrantemente nos seus.
Eugénia ficou parada a receber a sua resposta e compreendeu que ainda tinha que esperar mais um pouco, assim como se espera a chegada da próxima lua cheia. E aceitou.
Manuel não sabia o que ela estava a fazer e displicentemente a chamou para jantar. Abriram uma garrafa de vinho e falaram de viagens. Ele continuava com a idéia de ir embora dali, mas a conversa foi mais prazeirosa. Falava de férias e mudanças de ares com intenção de construir o seu negócio em outras paragens. Comeram, beberam, lembraram de coisas boas do passado, riram deles mesmos e da forma como chegaram a esta situação de crise.
Eugénia sentiu muita alegria em ver Manuel falar dos problemas daquela forma. Apesar do vinho ter ajudado a lhe soltar o espírito, ele parecia que já não se importava mais com suas queixas da vida. «Melhor assim», pensou ela.
Antes de acender, ajoelhou-se, fechou os olhos e formulou um pedido...
"Minha Nossa Senhora da Conceição da Praia, minha amiga, mulher de sensibilidade infinita... ajuda-me a compreender estes momentos de aflição. Não me largue a mão Senhora. Ficaria perdida sem o seu apoio, mas concede-me uma outra oportunidade de crescimento já que perdi as outras que me deste. Chorando eu te peço que oriente o meu caminho..."
Acendeu a vela, com os olhos rasos d'água e levantou-se, mas não, sem antes olhar nos olhos de Iemanjá que parecia ter lhe ouvido e olhava penetrantemente nos seus.
Eugénia ficou parada a receber a sua resposta e compreendeu que ainda tinha que esperar mais um pouco, assim como se espera a chegada da próxima lua cheia. E aceitou.
Manuel não sabia o que ela estava a fazer e displicentemente a chamou para jantar. Abriram uma garrafa de vinho e falaram de viagens. Ele continuava com a idéia de ir embora dali, mas a conversa foi mais prazeirosa. Falava de férias e mudanças de ares com intenção de construir o seu negócio em outras paragens. Comeram, beberam, lembraram de coisas boas do passado, riram deles mesmos e da forma como chegaram a esta situação de crise.
Eugénia sentiu muita alegria em ver Manuel falar dos problemas daquela forma. Apesar do vinho ter ajudado a lhe soltar o espírito, ele parecia que já não se importava mais com suas queixas da vida. «Melhor assim», pensou ela.
sábado, 26 de maio de 2007
Um dia na vida de Eugénia (1)
Naquela tarde Eugénia terminou de tomar o seu café da manhã de pé com o copo na mão em frente à janela da cozinha. Olhava lá para baixo e via as pessoas correrem para seus trabalhos, possívelmente ou passavam em velocidade nos seus carros de um lado para o outro. Ela não se mexia, nem mexia os olhos. Ficou fixa em um ponto da estrada e por uns segundos não pensou em nada, não formulou nenhuma opinião, nem pensou em ninguém. Apenas estava ali, como morta, parada no tempo.
Lentamente foi baixando a mão e o copo vazio do café com leite. Olhou para o chão e virou-se para dentro sentando na cadeira de onde havia levantado. Estava triste. Profundamente triste.
Tentou lembrar em momentos bons de sua infância ou adolescência, mas não conseguiu. Tentou lembrar de coisas boas que lhe tinham acontecido naquela semana, e mais uma vez a sua consciência não ajudava... Levantou-se.
Concluiu que estava a entrar em estado de depressão. Tomou um banho quente e depois abriu de repente a água fria. Queria tentar assustar o seu espírito para ver se ele acordava e o máximo que sentiu foi um arrepio de cortar a respiração.
Enxugou-se e foi até o quarto. Vestiu uma roupa confortável enquanto se olhava ao espelho. Achava-se velha. Inútil. Tinha amigos que não tinha vontade de procurar e seu trabalho não lhe satisfazia. Estava literalmente em depressão. Tomou um comprimido para tentar ajudar a recuperar algum ânimo e esperou deitada no sofá.
Adormeceu agarrada a uma das almofadas vermelha e sonhou que chorava em cima de um coração. Um coração grande que não batia, e ela era responsável por isso. Sentiu que era a única pessoa que estava no sonho e queria salvar o coração.
Gritava por socorro e ninguém a ouvia. Começou a bater no coração com toda a força que tinha ao mesmo tempo que dizia «Não morra, não morra, não morra...»
Acordou de repente e viu que tinha rasgado a almofada.
E dentro dela consegui ver um papel que saíra para fora... Parecia uma mensagem escrita em letras grandes...
«EU TE AMO, MAIS DO QUE IMAGINAS» e em letras pequenas, continuava:
«Escrevi e costurei dentro de todas as almofadas desta sala, pois não sabia quando irias rasgar ao ter um acesso de raiva por não aceitar que eu trabalhe tão tarde fazendo turnos até o amanhecer, mas o amor não escolhe horas e é de manhã que minha ansiedade cresce, porque vou encontrar você...»
Eugénia chorou de alegria agarrada ao papel e a todas as almofadas que havia. E esperou por Manuel com alegria.
Lentamente foi baixando a mão e o copo vazio do café com leite. Olhou para o chão e virou-se para dentro sentando na cadeira de onde havia levantado. Estava triste. Profundamente triste.
Tentou lembrar em momentos bons de sua infância ou adolescência, mas não conseguiu. Tentou lembrar de coisas boas que lhe tinham acontecido naquela semana, e mais uma vez a sua consciência não ajudava... Levantou-se.
Concluiu que estava a entrar em estado de depressão. Tomou um banho quente e depois abriu de repente a água fria. Queria tentar assustar o seu espírito para ver se ele acordava e o máximo que sentiu foi um arrepio de cortar a respiração.
Enxugou-se e foi até o quarto. Vestiu uma roupa confortável enquanto se olhava ao espelho. Achava-se velha. Inútil. Tinha amigos que não tinha vontade de procurar e seu trabalho não lhe satisfazia. Estava literalmente em depressão. Tomou um comprimido para tentar ajudar a recuperar algum ânimo e esperou deitada no sofá.
Adormeceu agarrada a uma das almofadas vermelha e sonhou que chorava em cima de um coração. Um coração grande que não batia, e ela era responsável por isso. Sentiu que era a única pessoa que estava no sonho e queria salvar o coração.
Gritava por socorro e ninguém a ouvia. Começou a bater no coração com toda a força que tinha ao mesmo tempo que dizia «Não morra, não morra, não morra...»
Acordou de repente e viu que tinha rasgado a almofada.
E dentro dela consegui ver um papel que saíra para fora... Parecia uma mensagem escrita em letras grandes...
«EU TE AMO, MAIS DO QUE IMAGINAS» e em letras pequenas, continuava:
«Escrevi e costurei dentro de todas as almofadas desta sala, pois não sabia quando irias rasgar ao ter um acesso de raiva por não aceitar que eu trabalhe tão tarde fazendo turnos até o amanhecer, mas o amor não escolhe horas e é de manhã que minha ansiedade cresce, porque vou encontrar você...»
Eugénia chorou de alegria agarrada ao papel e a todas as almofadas que havia. E esperou por Manuel com alegria.
sábado, 19 de maio de 2007
Uma família de passarinhos
Haviam 3 passarinhos no ninho. Estavam todos com fome e a espera da mãe chegar com alimento. O ninho não era muito grande e os gravetos que os pais tinham encontrado para construí-lo não eram muito maleáveis e por causa da pressa, também não ficou muito bem feito. Infelizmente depois que tinham acabado de fazer o primeiro ninho, um miúdo o destruíu todo com uma vara tão comprida que alcançou o telhado. O casal ficou apavorado pois já devia estar muito próximo do dia em que a mãe passarinho iria pôr os ovos.
Entretanto, sem parar para pensar, os dois apenas se entreolharam depois de verem melancolicamente o ninho espalhado no chão e voaram a toda velocidade para os quatro cantos do campo para recomeçar outro, antes que o prejuízo fosse maior.
A mãe passarinho já não tinha tantas forças a despender pois estava um pouco mais pesada. Ele disse-lhe com ternura, «descansa meu amor, deixe que eu mesmo acabo de construir a nossa casa e o berço dos nossos filhos». E como já tinha um lado confortável para ela estar pelo menos parada, ele, dia após dia, trouxe os gravetos mais oportunos que pode encontrar, sem se dar conta que não eram os adequados.
Mas ao final de todo esforço, a mãe-passarinho já estava a dar a luz ao seu primeiro ovinho e depois outro e depois outro. Eram trigémeos! Eles não se continham de felicidade. Surpreendentemente ele virou as costas para ela e tirou por debaixo do gravetos tortos um pequenino presente. Uma suculenta minhoquinha para lhe dar coragem.
Viveram ali na sua casinha torta tanto tempo necessário para alimentá-los e criá-los. Mas inoportunamente um dia, o mesmo miúdo atingiu a mãe passarinho com uma pedra. E ela não voltou mais para casa.
O pai passarinho entrou em depressão e morreu de tanta tristeza.
E os trigémeos após reconhecerem a ausência de seus progenitores, descobriram que já podiam voar e procurar seus próprios alimentos, pois se encontravam fortes e saudáveis.
Agora eles já são pássaros adultos e cada um tem a sua família, suas adversidades e contratempos. Aprendem uns com os outros sobre os perigos da vida e passam a sabedoria para todas as gerações.
«VIDA é existência recheada de pormenores com lições, por vezes difíceis, para nos fazer poderosos!»
Entretanto, sem parar para pensar, os dois apenas se entreolharam depois de verem melancolicamente o ninho espalhado no chão e voaram a toda velocidade para os quatro cantos do campo para recomeçar outro, antes que o prejuízo fosse maior.
A mãe passarinho já não tinha tantas forças a despender pois estava um pouco mais pesada. Ele disse-lhe com ternura, «descansa meu amor, deixe que eu mesmo acabo de construir a nossa casa e o berço dos nossos filhos». E como já tinha um lado confortável para ela estar pelo menos parada, ele, dia após dia, trouxe os gravetos mais oportunos que pode encontrar, sem se dar conta que não eram os adequados.
Mas ao final de todo esforço, a mãe-passarinho já estava a dar a luz ao seu primeiro ovinho e depois outro e depois outro. Eram trigémeos! Eles não se continham de felicidade. Surpreendentemente ele virou as costas para ela e tirou por debaixo do gravetos tortos um pequenino presente. Uma suculenta minhoquinha para lhe dar coragem.
Viveram ali na sua casinha torta tanto tempo necessário para alimentá-los e criá-los. Mas inoportunamente um dia, o mesmo miúdo atingiu a mãe passarinho com uma pedra. E ela não voltou mais para casa.
O pai passarinho entrou em depressão e morreu de tanta tristeza.
E os trigémeos após reconhecerem a ausência de seus progenitores, descobriram que já podiam voar e procurar seus próprios alimentos, pois se encontravam fortes e saudáveis.
Agora eles já são pássaros adultos e cada um tem a sua família, suas adversidades e contratempos. Aprendem uns com os outros sobre os perigos da vida e passam a sabedoria para todas as gerações.
«VIDA é existência recheada de pormenores com lições, por vezes difíceis, para nos fazer poderosos!»
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