Clara escreve para Moacir...
«Olho para trás uma vez mais e tento falar contigo. Não recebo muitas palavras de volta e continuo mergulhada na minha tristeza. Já não falamos Moacir. Já não olhamos um para o outro, nem nos tocamos como antes... Sinto a sua falta.
Hoje decidir ir embora. Fecho os olhos e vou. Quero primeiro me ausentar em pensamento e me imagino a caminhar para longe de ti para ter uma idéia se consigo te abandonar meu amor... Mas já não gosta tanto de mim, e a cada momento que estou a seu lado, posso sentir esta verdade.
Insisto para que meus olhos continuem fechados e vejo-me a caminhar no ar, sem sentir o que os meus pés pisam... Não pisam em nada afinal. Ando no etéreo, tenho a cabeça mergulhada em meus ombros, sinto as lágrimas a correrem pelos cantos dos meus olhos e o meu coração, como se tivesse perdido toda a esperança, entristece de secura.
Vou caminhando por esta estrada feita de nada, para um destino incerto, mas neste momento o mais desejado Moacir... Quero estar longe de ti, porque sei que você já não me nota... já não se importa...
Olho para frente agora. Tropecei sem querer em alguma coisa que voou até as minhas pernas e manteve-se parada no ar. Mas meus olhos não quiseram abrir e continuei a não querer ver nada.
Mais uma vez, tropeço. E desta vez, a força do impacto nas minhas pernas foi maior. Abri os olhos finalmente e vi uma mãozinha de criança que me chamava. Parecia comigo. Tinha o mesmo olhar que o meu e o mesmo sorriso.
A criança segurou-me pela mão e continuou o caminho que eu já tinha decidido seguir...
De repente perguntou-me... "Queres mesmo seguir por este caminho? Foi de lá que nós viemos. Vês alguma lógica em voltar para trás? EU sou TU. Porque deixaste de acreditar em NÒS?? Achas que o nosso futuro depende de alguém? Não foi isto que combinamos. Decidimos que acontecesse o que acontecesse naquele mundo, nós jamais desistiríamos. O que te parece?..."
Olhei para minha infância e minha adolescência espelhada no rosto daquela criança que se parecia comigo e recordei os meus sonhos...
Moacir... Realmente ia me abondonar por tua causa. Mas decidi que você não vale tanto para este feito!
Estou de regresso!!!
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
sábado, 11 de agosto de 2007
Espreitando
Da minha janela apreciava-a escrevendo em seu caderno de memórias, penso eu. E ainda mais apreciei-a quando fez uma pausa aos seus estudos ou suas recordações e saiu para ir buscar um gelado à cozinha. Trouxe de lá uma pequena caixa que me pareceu não haver muito, pois como havia uma camada agarrada na tampa da caixa, vi quando levou a mesma à boca e passou a língua, tão grande e tão doce, que de tanto olhar, até vi as cores que lhe pintavam os lábios de branco e vermelho. Será que o sabor que ela sentia era de natas e amoras? Decerto que sim. E como tive vontade de experimentar aquele gelado... Estou cheio de sede, fome e calor... Quem me dera que ela tivesse deixado um pouco para mim!
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