terça-feira, 3 de julho de 2007

Carolina e Artur

...Até que um dia, Carolina não queria mais estar em casa a dar trabalho ao Artur e aos seus filhos. Estava, dia após dia a se sentir culpada, por todos os desconfortos que causava à sua família pelo facto de não conseguir andar. Lembrava que nunca pôde correr com seus filhos pelo parque ou nadar na praia ao lado deles, e que nem ao menos aprendeu a conduzir. E por isto, pediu a Artur que verificasse se não havia nenhuma escola de condução para deficientes que a pudesse ajudar, e que por favor, procurasse um carro que fosse adaptado para o estado físico que ela se encontrava.
Artur ficou muito contente com a demonstração de interesse que a Carolina estava sentindo em relação à sua família, e não demorou muito em sair para procurar informações em todas as auto-escolas que estavam ao seu alcance próximo a sua morada, para que fosse fácil a ida de Carolina até lá.
Saiu ele de sua casa uma manhã em que inexplicavelmente fazia frio e chovia. Apesar de estarem no Verão, o dia amanheceu cinzento e a ameaça de chuva terminou por se concretizar.
Artur estacionou o carro na posição mais viável para sair correndo sem se molhar demasiado e atravessou a rua quase sem olhar para os lados, pois tinha certeza que não viria ninguém por aquela via... Mas veio um carro pela contra mão e mesmo tentando fazer uma travagem, o piso molhado não o deixou parar, apanhando Artur em cheio pelas pernas.
Artur não desmaiou, nem sentiu dores. Apenas parecia que, de olhos abertos, via como um filme todos os sentimentos que passou pela cabeça de sua amada esposa no dia do acidente que a deixou sem as pernas... E só o que lhe passava pela mente era o que seria do seu futuro dali para frente... como ela também havia pensado.
Artur não teve a presença de Carolina como ela teve à ele naquele dia, mas a tinha no pensamento, e de uma maneira tão forte que mesmo em casa, Carolina em sua cadeira de rodas, foi até o telefone e ligou para ele.
«Artur, estás bem? Não sei porque tive uma sensação ruim, meu amor... Estive pensando na minha idéia de conduzir e me tornar menos dependente de vocês, e sinceramente, acho que já não me importo... Se vocês nunca se queixaram, penso que é um preciosismo da minha parte. E na verdade o que eu mais quero, é que você esteja sempre ao meu lado Artur!... Eu te amo muito!»
Carolina não sabia o que lhe tinha acontecido, mas Artur já estava no Hospital e já sabia que não mais poderia andar. Tinha ficado paraplégico com o embate e teria que estar também em cadeira de rodas para o resto da sua vida...
Mas felizmente... Ao lado da sua Carolina!

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