quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sono

Ela quando acordou disse logo para si mesma que ainda tinha sono... Não queria levantar-se da cama. Pensava na vida, pensava no dia anterior, pensava nos erros do passado e tentava compreender o presente...
Do futuro, nada sabia. Nem tinha vontade de saber, pois no estado psicológico em que se encontrava, o futuro lhe parecia pouco feliz. E não se deixou levar.
Levantou a contragosto e escovou os dentes, penteou os longos cabelos, olhou-se no espelho e viu... uma cara entristecida pelo tempo, uma mecha de cabelos brancos que não conhecia e um sorriso sem graça.
Olhou nos olhos do reflexo do seu rosto no espelho e como hipnotizada, conseguiu entrar no corpo daquela imagem e viu lá por dentro recantos de diversas categorias... Um jardim, florido e colorido, e um banco com um livro abandonado... Um outro jardim, em preto e branco, e uma série de livros abandonados pelo chão... Um barco com alguém a dormir lá dentro enquanto o mar levava-o devagarinho, devagarinho... Uma coruja a sobrevoar um ninho de águias... Uma multidão em torno de alguém que ganhou na loteria... Uma casa a beira-mar, com muitas janelas que só dava para a frente... Um horizonte com duas luas, um farol e uma imagem... Ela própria a acenar de longe...
Voltou ao seu estado natural e viu-se outra vez no espelho.
Ainda estava ali. Viva e sem vontade de fazer nada... A isto chamou de "depressão".
... Sem pensar em mais nada, voltou para cama e dormiu...

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Para mis letctores españoles... una tentativa de tradución...

Sueño

Cuando ella despertó dijo inmediatamente a sí misma que aún tenia sueño... No queria levantárse de la cama. Pensaba en la vida, pensaba en el día anterior, pensaba en los errores del pasado y tentaba comprender el presente...
Del futuro, nada sabia. Ni tenia voluntad de saber, pués en el estado psicológico que se encontraba, el futuro le parecia poco feliz. Y no se dejó levar.
Se levantó a contragusto e cepilló los dientes, peinó sus largos pelos, miróse en el espejo e vio... una cara entristecida por el tiempo, una mecha de cabello blanco que no conocía y una sorisa sin gracia.
Miró en los ojos del refejo de su rostro en el espejo y como se estuviese hipnotizada, conseguió entrar en el cuerpo de aquella imagen y vio adentro recantos de diversas categorias... Uno jardín, florido y colorido y una silla de jardín con uno libro abandonado... Un otro jardín, en negro y blanco y una série de libros abandonados en el suelo... Uno barco con alguien dormindo en su interior mientras el mar lo llevaba despacio, despacio... Una lechuza volaba sobre un nido de águilas... Una multidón alrededor de alguien que habia ganado la loteria... Una casa en la orilla del mar, con muchas ventanas que solo miraban la frente... Uno horizonte con dos lunas, una antiniebla e una imagen... Ella propria haciendo señas de lejo...
Volveó a su estado natural y se miró otra vez en el espejo.
Aún estaba allí. Viva y sin voluntad de hacer nada... A eso llamó de “depresión”.... Sin pensar en más nada, volvió a la cama e dormió...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Altas horas

Era uma mulher que estava sempre acordada até altas horas.
Imaginava-se em outras paragens.
Viu-se em frente ao mar caminhando para dentro d'água e sentando em uma pedra com musgos e limo, brinca com as conchas enterradas na areia. Respira tranquilamente dentro de toda aquela água. Não se afoga porque o fluido entra pelas narinas e sai pela boca. Tão simples como respirar com ar.
Via-se a olhar os peixes que encaram com admiração o seu tamanho e forma... Imaginava-se nua da cintura para cima, como uma sereia apaixonada, com longos cabelos vermelhos e cauda de peixe colorida... Via-se calma e em silêncio...

Hoje o tempo parece tranquilo. O mar parece um espelho com o reflexo da lua prateando pequenos pontos. Os peixes começam a adormecer ao limite do oceano...

...E a luz continuava acesa até altas horas da noite, pois a mulher sonhava com a paz...

Silêncio... Aqui reina um momento único. Um momento pessoal e raro.

domingo, 26 de agosto de 2007

Um homem muito "rico de dinheiro"

Era uma vez um homem muito rico e solitário... ( Não sei porque os pessoas muito ricas são solitárias, mas aí vai a história...). Por vezes emprestava dinheiro com intenção de ser reconhecido como uma boa pessoa. Mas não tardava muito, começava a se preocupar com o retorno daquele dinheiro.
De vez em quando uma das pessoas que ele tinha ajudado, passava por sua casa e lhe levava um bolo, umas frutas e até mesmo um pouco de companhia e conversa, mas ele já não gostava sequer de tais visitas e com aquelas "porcarias" que ele nem iria comer... Ficava irritado com as visitas dos seus devedores que iam até a sua casa para ver como ele estava e nunca falava no pagamento da dívida.
O homem por vezes nem dormia a tentar imaginar as palavras que teria que dizer na próxima visita que lhe fizessem... O que queria era seu dinheiro de volta! Mesmo não precisando, ele achava que todo mundo tinha que honrar os seus compromissos e sem saber se o devedor podia ou não pagar, ele só tinha em mente o factor "tempo" e eles todos já tinham tido tempo mais que suficiente para lhe pagar.
E assim, sozinho em sua casa, a primeira visita que recebeu depois daquele dia, foi logo pedindo a devolução do seu dinheiro o mais rápido possível e que podia levar as frutas de volta que ele não ia consumir...
Um a um foi recebendo a intimação do pagamento que teriam que devolver, e a proporção que isto acontecia as pessoas ficavam com mais problemas por não poderem pagar nem ao menos com carinho...
O "nosso homem" um dia adoeceu. Não pode sair da cama para pedir ajuda. Ardia em febre e o seu peito apertava... Ao fim de umas horas em sofrimento, teve um ataque cardíaco e morreu... Ninguém soube naquele dia, nem no outro, nem no outro...
Finalmente, veio um amigo lhe visitar e que não lhe devia nada. Vinha de longe e como passava por ali, resolveu ver como ele estava.
Estava só e abandonado no seu leito de morte. O amigo chamou a polícia porque achou estranho o carro estar na garagem e ele não atender a porta. A polícia arrombou a janela e o encontrou morto em estado avançado de podridão corporal.
Verificando a casa, viu que por baixo da porta estavam vários envelopes com dinheiro e agradecimento pela ajuda que ele tinham dado.
Ninguém entendeu como é que um homem tão bom e tão rico poderia ter acabado só e daquele jeito...

sábado, 25 de agosto de 2007

Regressão Onírica

Não sei onde me encontrava. Mas sabia que não estava sozinha.
Vi uma coisa incrível acontecer. Parecia que as árvores daquele lugar não queria mais estar ali. Vi como elas se movimentavam e subiam os montes de terra que estava em volta, mas estava tão cheio de lama que elas escorregavam de volta para o mesmo buraco.
Chovia muito e de vez em quando, aparecia não se sabe da onde, uma onda feita de lama que estava sempre a me salpicar. Fiquei incomodada e perguntei onde poderia me limpar. E antes que me dirigisse para o local, a onda pegou-me quase em cheio e fiquei ainda mais suja.
Finalmente cheguei no lugar onde poderia lavar-me e lá já estava um homem e uma criança a fazer o mesmo. E pensei que a água também estivesse suja, pois a proporção que o homem (vestido com as suas roupas) molhava-se, a água que saia do seu corpo era vermelha.
Fiquei em dúvida se continuava suja ou se arriscava me limpar com aquela água. Não tinha muitas hipóteses. Fiquei a espera da minha vez a olhar ansiosamente para o jorro de água branca que saía do cano.
Acordei...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Um Sonho Mau... ou bom?

Sonhei que estava sentada em um conjunto de pedras ilhadas em água doce.
Mirava o horizonte e a tranquilidade da água que estava a minha volta. Não pensava em nada. Apenas estava ali a relaxar e adimirar... De repente, olhei lentamente para trás e vi um pouco mais abaixo, um leão! Sim, um leão fora do seu habitat. Rondava mansamente em volta da pedra que eu estava sentada com as patas na água rasa... Não parecia que me ameaçava ou que se deu conta que eu estava ali. Vi quando entrou em águas mais profundas e de onde eu estava também vi nitidamente uma grande cobra a ir em direcção a ele.
O leão foi abocanhado pela cobra, e enquanto lutava, gritava por ajuda e dizia meu nome!... Fiquei surpresa, mas não podia ajudar em nada. Primeiro, já nem via a cabeça do leão, segundo, como podia eu lutar contra uma cobra daquele tamanho?...
Olhei para trás de mim outra vez e vi uma outra cobra menor a passar pela água rasa. Pensei que deveria sair dali o mais rápido possível. Já eram demasiados perigos e de qualquer forma, pensei que também a maré poderia subir...
Acordei! (Graças a Deus!)
...
Agora procuro uma interpretação deste sonho. Já pensei jogar no "Bicho" com tantos animais, mas também já pensei que podia ser um Aviso ou um Sinal para eu mudar minha vida o mais rápido possível...
... Humm... Curioso, no mínimo!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A vela e eu...

Estava sentada na cadeira da sala e tinha a mesa em minha frente. Escrevia. Durante um longo espaço de tempo fiquei a olhar minha mão a se movimentar em cima do papel branco e virgem, pois não me vinha nada à cabeça...
Levantei, olhei para o papel de longe e deparei-me com ele a brincar com as cortinas da sala.
A cortina levantava com o vento e fazia ondas ao longo de sua extensão, no limite aberto da janela. O papel estava a dançar em cima da mesa, mas não parecia que em momento algum pudesse ir para o chão. Fiquei a admirar os dois movimentos e me lembrei de ir buscar um copo de vinho e uma vela.
Acendi a vela, mas antes, tive que fechar a janela.
A cortina parou seu feliz movimento e o papel deixou de dançar... A vela parecia morta. Estava parada e erguida com uma chama brilhante...
Olhei para o papel e vi a sombra do meu corpo sobre ele.
Eu estava lá... O papel já não era virgem. Refletia a minha imagem.
Abri a janela, a cortina levantou-se, a luz apagou e eu desaparecí como por encanto...
Mas sentei e escrevi!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Lamento e Solução

A árvore morreu... De tanto que a casa e a gente que mora nela recebeu olhares de ódio e inveja, a árvore morreu! Mas também morreu com ela a emoção, o entusiasmo e a vontade de crescer!
Mas ficou a esperança e a raíz que se move através da terra e caminha para florescer em outro lugar...

sábado, 11 de agosto de 2007

Anjo da Guarda

(Fiz este texto para o meu Blog do "Euvoscompreendo", e resolvi passar para aqui, porque gosto dele...)

Fecho os olhos e imagino o meu anjo da guarda... muito gordo, com uma carinha amorosa e rosada... não, aliás... magrinho... não...uma mulher... uma Anja da Guarda... e se for uma criança? Criança pode ser Anjo da Guarda? Se for, então em quero em forma de criança... Espírito elevado, cheia de conselhos para dar.
Mas esta criança imagino criança comigo. Imagino que este Anjo tenha crescido junto comigo. Imagino que tenha experimentado as minhas alegrias e tristezas... Imagino-o no final conversando e relembrando os velhos tempos de infância em que nós dois éramos inocentes e felizes...
Meu Anjo da Guarda agora tem a minha idade e tem medo de envelhecer. Sobretudo tem medo de me perder. Por isso tento não esqueçê-lo. E vou falando com ele todos os dias, sempre que posso... peço tudo que preciso para minha vida. E ele me atende. Sempre. Se não, peço outra vez e de outra maneira... Mas insisto. Aí ele resolver ir pedir por mim. E então me é concedida aquela graça. Consigo tudo o que quero, depois alguma coisa não dá certo e eu rezo para me livrar daquele pedido... Então compreendo por que ele não queria me fazer a vontade ao princípio.
Tentou me proteger mas não tinha entendido! Humm... Agora penso antes de pedir! E aceito o que puder receber!

Espreitando

Da minha janela apreciava-a escrevendo em seu caderno de memórias, penso eu. E ainda mais apreciei-a quando fez uma pausa aos seus estudos ou suas recordações e saiu para ir buscar um gelado à cozinha. Trouxe de lá uma pequena caixa que me pareceu não haver muito, pois como havia uma camada agarrada na tampa da caixa, vi quando levou a mesma à boca e passou a língua, tão grande e tão doce, que de tanto olhar, até vi as cores que lhe pintavam os lábios de branco e vermelho. Será que o sabor que ela sentia era de natas e amoras? Decerto que sim. E como tive vontade de experimentar aquele gelado... Estou cheio de sede, fome e calor... Quem me dera que ela tivesse deixado um pouco para mim!