domingo, 7 de outubro de 2007

Capítulo 1 - Alma Gêmea

Alma Gêmea
(Joice Worm)


Naquela noite, Anabela voava e se afastava do seu corpo físico. Era sempre assim. Pedia a Deus para ter um sonho que lhe despertasse a alma e que pudesse descobrir as respostas de que precisava. Sabia que seu espírito poderia se libertar enquanto dormia, e assim tinha muitas possibilidades de descobrir o segredo das suas conquistas ou a falhas que derivou as suas derrotas.
Anabela queria vivenciar suas experiências como se estivesse viva em outra dimensão tentando trazer consigo uma alma renovada e com mais esperança para prosseguir vivendo. Já não aguentava mais sofrer por amor. Queria procurar uma explicação para se ter dado tanto e não ter recebido nada em troca. Não entendia por que razão as pessoas que são verdadeiramente amadas por outras, não se apercebem ou simplesmente não fazerm caso deste amor e desdenham sem remorsos...
Nesta noite vestiu-se de lilás para poder atrair bons fluidos. Certa vez uma amiga lhe disse. – Vista a sua casa com um manto lilás. Feche os olhos e faça de conta que toda ela está protegida por este manto. Lave tudo com produtos de líquido lilás e vais ver que vais se sentir mais leve – Disse ela.
E assim Anabela o fez. Cerrou os olhos por uns instantes e conseguiu ver toda a casa a ser coberta com o manto lilás, muito fininho, caindo lentamente sobre o sofá, sobre a estante grande da sala, sobre os papéis de escritório, sobre os seu livros, e finalmente sobre si própria. E sem sentir, ao fim da sua imaginação ter trabalhado, dormiu.
Carina, sua amiga e companheira de quarto, neste dia chegou mais cedo e sem querer, acordou-a do seu sono tranquilo e impediu-a de sonhar. – Ainda dormindo? Já são quarto horas da tarde. Estás doente? Realmente parece incrível que uma pessoa possa perder tanto tempo de vida a dormir – Disse ela, um pouco irritada por ter trabalhado tanto enquanto a amiga apenas estudava e tinha os pais a lhe pagar a parte do apartamento.
- Não estava a dormir Carina, apenas tentava me encontrar.
- Se encontrar? Mas para mim não foi difícil de te encontrar na cama.
- Chega Carina, não queira contribuir para o meu estado de depressão. Já estou muito mau para te dar ouvidos.
- Desculpe Belinha, - Disse Carina, sentando-se na beira da cama, - Mas hoje também não me sinto muito bem. Às vezes pareço muito insensível por falar tão rispidamente, mas na verdade estou sempre atenta às coisas que acontecem em minha volta e que terminam por me envolver. Nunca desconsidero um momento, seja ele qual for. Quando uma mariposa branca passa por cima da minha cabeça, sei que coincidentemente ela me trará boas notícias. Nunca esqueço de agradecer ao meu Deus, por tudo aquilo que vejo de bom e bonito a minha frente. E sabe porque agradeço? Por que além de alentar a minha alma, deixa-me como referência o que posso considerar mau e feio. E assim percebo que não existe meio termo...

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