quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Capítulo 3 - Alma Gêmea

Alma Gêmea
(Joice Worm)

Falou isso e foi abrindo as cortinas e a janela, deixando entrar o sol maravilhoso que havia lá fora. E de repente o quarto ficou iluminado com os últimos raios que já se preparava para desaparecer, não entretanto antes de tentar aquecer todo o lugar que pudesse alcançar. E alcançou o rosto de Anabela com tanta intensidade que ela sentiu um arrepio de emoção. Parecia que o sol a tinha beijado. No mesmo instante, Carina havia passado tão próxima dela que pôde sentir o cheiro da sua pele suada de trabalho, misturado com o sabonete que usava habitualmente. Anabela abriu os olhos e olhou para o lado de fora da janela. Não quis olhar para Carina. Mas Carina não parava de falar sobre os seus próprios problemas existenciais.
- Realmente é mais fácil pensarmos positivamente quando temos uma conta bancária recheada e estável. – Continuo Carina. Há mulheres que escrevem livros ou até mesmo dão entrevistas quando tem a vida inteiramente equilibrada com sua questão profissional ou emocional resolvida, outras escrevem quando estão com problemas sentimentais. Outras ainda...
- Eu estou a escrever um livro também Carina...
- Qual, aquele que chama, “Quem você pensa que é?” ?
- Sim.
- Minha querida Belinha, ponha a cabeça no lugar, escrever um livro não é dizer que “está” a escrever um livro... É sentar e escrevê-lo mesmo. Não podes passar anos a dizer que está a escrever um livro e dar a toda a gente que conheces apenas três ou quatro páginas para ler.
- Tem dez.
- Que diferença isso faz. Tens que sentar em frente ao que já escrevestes, considerar os pontos importantes que queres abordar e por mãos à obra. Senão, o melhor é não dizeres nada a ninguém e fazer o seu trabalho tranquilamente durante os anos que quiser. Este teu “livro” já ouço falar a mais de 8 anos e não acho que seja uma coisa normal, amiga.

Anabela ficou ainda mais triste. Descobriu mais uma derrota do seu inconformismo pessoal. Nem mesmo as suas idéias ela conseguia por em práctica. Nesse momento o telefone tocou. Carina saiu do quarto para atender, deixando Anabela absorvida em seus pensamentos.
- Sim, não ela não está acordada. Está dormindo...
Anabela levanta rapidamente e toma-lhe o telefone das mãos.
- Alô, sou eu. Não, ela estava a brincar. Sim, estarei pronta em quinze minutos. Não demoro nada. Passas aqui para me buscar ou queres que desça e o espere aí embaixo? Hum... está bem, então espero que toques três vezes para saber que é você. Até já.
Desligou o telefone e já parecia outra pessoa. Estava completamente entusiasmada com aquele encontro e Carina percebeu a sua euforia.
- Quem é o rapazinho?
- Não é ninguém que você conheça Carina, mas na primeira oportunidade lhe apresento. Para já, posso lhe dizer que é um homem e não um rapazinho, como dizes.

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