segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Capítulo 5 - Alma Gêmea

Carina continuava parada, mas respondeu baixinho. – Abro. Anabela com certeza não ouviu, mas ele também não tocou mais. Ela deu mais um passo à frente e começou a tremer como uma criança. Segurou-se na correntinha que trazia ao pescoço e apertou forte sem saber porque. Abriu a porta lentamente e como uma flecha no seu coração, olhou nos olhos do homem que Anabela esperava e ficou completamente atordoada. Olharam-se nos olhos um do outro, mas ela parecia mais perturbada do que ele.
- Sou um amigo da Anabela, ela deve estar a minha espera.
- Sim, eu sei. Pode entrar por favor. Ela estar a tomar um banho, mas não se demora.
Carina percebeu que ele continuava a olhá-la e parecia um pouco intrigado, quando lhe fez uma pergunta ainda mais estranha. – Nós já nos conhecemos?
- Não. Seguramente que não.
- Engraçado, quando a vi, parecia que já a conhecia de algum lado. Mas devo estar a confundi-la com alguém.
- Com certeza...
Por instantes Carina tinha resolvido não dar asas a sua imaginação, ou mesmo, não dar ouvido ao seu coração. Talvez por respeito a sua amiga, talvez por medo da sensação diferente do que estava a sentir. Mas de repente, e conforme manda os estudos da sua profissão, tentou relaxar sem se envolver e fazer algumas perguntas enquanto tinha algum tempo até o retorno de Anabela.
- Nunca me aconteceu isso. – Disse ele. – Sempre que conheço alguém pela primeira vez, parecem-me sempre estranho a mim, mas com você senti realmente como se a conhecesse. Deixe que me apresente. Sou Tiago Ross, com dois “s”. Normalmente as pessoas que me conhecem, chamam-me de Ross. E você...
- Sou Carina, com “C”. E normalmente chamam-me de Carina. Nunca tive nenhuma alcunha sequer. Todos me chamam directamente pelo nome. Inclusive os meus pais. Pelo meu apelido também não me tratam. Sou “Silva” e é um apelido muito comum.
- Tive um amigo que conhecia um vendedor de cerveja na praia que lhe chamavam de “Silva”, portanto como era um homem, acho pouco provável que um dia lhe chame de “Silva”.
Carina riu-se como uma adolescente. E não percebeu que tinha se sentado nas folhas do livro de Anabela. Quando Ross lhe chamou a atenção, ela estava ainda a rir descontroladamente.
- Acho que estás sentada em algumas folhas que escrevestes. Será que já não tem importância?. – Disse ele, tentando ajudar.
- Oh, meu Deus. Ainda bem que Anabela não viu. Não fui eu que escrevi, foi ela. Estava tentando incentivá-la para continuar a escrever. Há anos que tem estas folhinhas escritas e não consegue terminá-las. Não sei se por não ter vontade de continuar o mesmo assunto ou por simplesmente não ter vontade de escrever.
Neste mesmo momento, Anabela grita para Carina. – Amiga, que cor acha que devo vestir... – Rosa?
E ao mesmo tempo que Ross, eles repondem: - AZUL!

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