sábado, 2 de junho de 2007

Eugénia reza para Iemanjá (2)

Eugénia acendeu uma vela para Iemanjá.

Antes de acender, ajoelhou-se, fechou os olhos e formulou um pedido...

"Minha Nossa Senhora da Conceição da Praia, minha amiga, mulher de sensibilidade infinita... ajuda-me a compreender estes momentos de aflição. Não me largue a mão Senhora. Ficaria perdida sem o seu apoio, mas concede-me uma outra oportunidade de crescimento já que perdi as outras que me deste. Chorando eu te peço que oriente o meu caminho..."

Acendeu a vela, com os olhos rasos d'água e levantou-se, mas não, sem antes olhar nos olhos de Iemanjá que parecia ter lhe ouvido e olhava penetrantemente nos seus.

Eugénia ficou parada a receber a sua resposta e compreendeu que ainda tinha que esperar mais um pouco, assim como se espera a chegada da próxima lua cheia. E aceitou.

Manuel não sabia o que ela estava a fazer e displicentemente a chamou para jantar. Abriram uma garrafa de vinho e falaram de viagens. Ele continuava com a idéia de ir embora dali, mas a conversa foi mais prazeirosa. Falava de férias e mudanças de ares com intenção de construir o seu negócio em outras paragens. Comeram, beberam, lembraram de coisas boas do passado, riram deles mesmos e da forma como chegaram a esta situação de crise.

Eugénia sentiu muita alegria em ver Manuel falar dos problemas daquela forma. Apesar do vinho ter ajudado a lhe soltar o espírito, ele parecia que já não se importava mais com suas queixas da vida. «Melhor assim», pensou ela.

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