segunda-feira, 18 de junho de 2007

Um conto do meu pai

Hoje ainda me lembro perfeitamente de um história que meu pai contava sobre a Morte. E por incrível que pareça e por mais que ele contasse, eu e meus irmão ríamos demais quando ele acabava. E o mais engraçado é que já sabíamos o final da história, mas mesmo assim, pedíamos que ele contasse outra vez e o meu pai lá começava...
«Era uma vez um casal que já não era muito novo. Ela andava em casa a fazer as limpezas e outras coisas e ele estava sempre preocupado com a chegada da sua morte. Um dia, bateram à porta. A mulher foi atender e o marido se escondeu com medo que fosse "Ela".
- Sim, o que é que o senhor deseja, disse a mulher ao homem que estava à porta.
- Eu sou a Morte. Vim buscar o seu marido, respondeu o homem.
- Ele não está. Tem que voltar outro dia, falou a mulher trêmula de medo.
E a Morte foi embora dizendo que voltaria no dia seguinte.
O velho já não se aguentava de pé de tanto que andou em casa a procura de uma forma de enganar a Morte. No dia seguinte a Morte bateu na porta da casa na mesma hora e procurou por ele e mais uma vez a mulher disse que o marido não estava. E a Morte então disse à ela que no dia seguinte passava outra vez, mas que tinha que levá-lo de um vez por todas. Já não poderia esperar mais.
O marido, já desesperado teve uma brilhante idéia. A morte já o conhecia e sabia que ele tinha muito cabelo e barbas compridas. Resolveu raspar tudo para que "Ela" não o reconhecesse.
No dia seguinte, a Morte volta a bater à porta. E o homem se pôs tranquilamente à frente da televisão com um jornal na mão e um copo de cerveja, ao mesmo tempo que fumava um cigarro, coisa que nunca na vida tinha feito.
- Vim buscar seu marido, disse a Morte.
- Ele não está, disse a mulher receosa que a Morte levasse a ela.
- Não faz mal, completou "Ela", vou levar aquele careca que está a fumar na sua sala e um dia qualquer volto aqui outra vez.
Naquele momento o homem engasgou-se com o fumo e morreu asfixiado."

E por sermos crianças ríamos de rolar no chão. Mas meu pai concluía que "Ninguém consegue enganar a Morte". E nesta hora olhávamos uns para os outros e ficávamos assustados, sendo este o desfecho da nossa história.

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